Talvez seja a idade, quem sabe as lembranças ainda vivas de quem atravessou a adolescência e o início da idade adulta em plena ditadura. Mas não consigo conviver com a ideia de que cidadãos como José Genoíno e José Dirceu possam ser condenados por corrupção ativa sem que sejam oferecidas provas consistentes e claras. A Justiça é um direito de todos. Mas não estamos falando de personagens banais

Sei que os mandantes de atos considerados criminosos não assinam papéis, não falam ao telefone nem deixam impressão digital. Isso não me leva a acreditar que toda pessoa que não assina papel, não fala ao telefone nem deixa impressão digital seja chefe de uma quadrilha.

Sei que existe a teoria do domínio do fato. Mas ela não é assim, um absoluto. Tanto que, recentemente, o célebre Taradão, apontado, por essa visão, como mandante do assassinato de irmá Dorothy, conseguiu sentença para sair da prisão. Contra Taradão havia confissões, testemunhas variadas, uma soma impressionante de indícios que não vi no mensalão. Mesmo assim, ele foi solto.

Não estamos no universo do crime comum. Estamos no mundo cinzento da política brasileira, como disse o professor José Arthur Gianotti, pensador do país e, para efeitos de raciocínio, tucano dos tempos em que a geração dele e de Fernando Henrique lia O Capital.

O país político funciona neste universo cinzento para todos os partidos. Eu acho, de saída, que é inacreditável que dois esquemas tão parecidos, que movimentaram quantias igualmente espantosas, tenham recebido tratamentos diferentes – no mesmo tempo e lugar.

O centro desse universo é uma grande falsidade. O mensalão dos petistas, que condenou Dirceu e Genoíno, foi julgado pelo Supremo em clima de maior escândalo da história, definição que, por si só, já pedia, proporcionalmente, a maior condenação da história.

Já o mensalão do PSDB-MG escapou pela porta dos fundos. Ninguém sabe quando será julgado, ninguém saberá quando algum nome mais importante for absolvido em instancias inferiores, ninguém terá ideia do destino de todos. Bobagem ficar de plantão a espera do resultado final. Esse barco não vai chegar.

O caminho foi diferente, a defesa terá mais chances e oportunidades. Não dá para corrigir.

O PSDB-MG passará, no mínimo, por duas instâncias. Quem sabe, algum condenado ainda poderá bater às portas do STF – daqui a alguns anos. Bons advogados conseguem tanta coisa, nós sabemos…

Não há reparação possível. São rios que seguiram cursos diferentes, para nunca mais se encontrar.

Partindo desse julgamento desigual, eu fico espantado que Dirceu tenha sido condenado quando os dois principais casos concretos – ou provas – contra ele se mostraram muito fracas.

Ponto alto da denúncia de Roberto Jefferson contra Dirceu, a acusação de que Marcos Valério fez uma viagem a Portugal para arrumar dinheiro para o PTB e o PT se mostrou uma história errada. Lobista de múltiplas atividades, Valério viajou a serviço de outro cliente, aquele banqueiro da privatização tucana que ficou de fora do julgamento. Ricardo Lewandoswski explicou isso e não foi contestado.

Outra grande acusação, destinada a sustentar que Dirceu operava o esquema como se fosse o dono de uma rede de fantoches, revelou-se muito mais complicada do que parecia. Estou falando da denúncia de que, num jantar em Belo Horizonte, Dirceu teria se aliado a Katia Rebelo, a dona do Banco Rural, para lhe dar a “vantagem indevida” pelos serviços prestados no mensalão.

A tese é que Dirceu entrou em ação para ajudar a banqueira a ganhar uma bolada – no início falava-se em bilhões – com o levantamento da intervenção do Banco Central no Banco Mercantil de Pernambuco. O primeiro problema é que nenhuma testemunha presente ao encontro diz que eles sequer tocaram no assunto.

Mas é claro que você não precisa acreditar nisso. Pode achar que eles combinaram tudo para mentir junto. Por que não?

Mas a sequencia da história não ajuda. Valério foi 17 vezes ao BC e ouviu 17 recusas. A intervenção no Banco Mercantil só foi levantada dez anos depois, quando todos estavam longe do governo. Rendeu uma ninharia em comparação com o que foi anunciado.

De duas uma: ou a denuncia de que Dirceu trabalhava para ajudar o Banco Rural a recuperar o Mercantil era falsa. Ou a denuncia é verdadeira e ele não tinha o controle total sobre as coisas.

Ou não havia domínio. Ou não havia fato.

Aonde estão os super poderes de Dirceu?

Estão na “conversa”, dizem. Estão no “eu sabia”, no “só pode ser”, no “não é crível” e assim por diante. Dirceu conversava e encontrava todo mundo, asseguram os juízes. Mas como seria possível coordenar um governo sem falar nem conversar? Sem sentar-se com cada um daqueles personagens, articular, sugerir, dirigir. Conversar seria prova de alguma coisa?

Posso até imaginar coisas. Posso “ter certeza.” Posso até rir de quem sustenta o contrário e achar que está zombando da minha inteligência.

Mas para condenar, diz a professora Margarida Lacombe, na GloboNews, é preciso de provas robustas, consistentes. Ainda vivemos no tempo em que a acusação deve apresentar provas de culpa.

Estamos privando a liberdade das pessoas, o seu direito de andar na rua, ver os amigos, e, acima de tudo, dizer o que pensa e lutar pelas próprias ideias.

Estamos sob um regime democrático, onde a liberdade – convém não esquecer – é um valor supremo. Podemos dispor dela, assim, a partir do razoável?

Genoíno também foi condenado pelo que não é crível, pelo não pode ser, pelo nós não somos bobos. Ainda ouviu uma espécie de sermão. Disseram que foi um grande cara na luta contra a ditadura mas agora teve um problema no meio da estrada, um desvio, logo isso passa.

Julgaram a pessoa, seu comportamento. E ouviu a sentença de que seu caráter apresentou falhas.

Na falta de provas, as garantias individuais, a presunção da inocência, foram diminuídas, em favor da teoria que permite condenar com base no que é “plausível”, no que é “crível” e outras palavras carregadas de subjetividade, de visão

Não custa lembrar – só para não fazer o papel de bobo — que se deixou de lado o empresário das privatizações tucanas que foi um dos primeiros a contribuir para o esquema, um dos últimos a aparecer e, mais uma vez, um dos primeiros a sair.

Já perdemos a conta de casos arquivados no Supremo por falta de provas, ou por violação de direitos individuais, ou lá o que for, numa sequência de impunidades que – involuntariamente — ajudou a formar o clima do “vai ou racha” que levou muitos cidadãos honestos e indignados a aprovar o que se passou no julgamento, de olhos fechados.

Juizes do STF emparedaram o governo Lula, ainda no exercício do cargo, em função de uma denuncia – absurdamente falsa – de que um de seus ministros fora grampeado, em conversa com o notável senador Demóstenes Torres, aquele campeão da moralidade que tinha o celular do bicheiro, presentes do bicheiro, avião do bicheiro…o mesmo bicheiro que ajudou a fazer várias denuncias contra o governo Lula, inclusive o vídeo dos Correios que é visto como o começo do mensalão.

Prova de humildade: os ministros do STF também pode se enganar. Apontado como suspeito pelo caso, o delegado Paulo Lacerda perdeu o posto. Dois anos depois, a Polícia Federal divulgou que, conforme seu inquérito, não havia grampo algum. Nada.

A condenação contra José Genoíno e José Dirceu sustenta-se, na verdade, pelo julgamento de caráter dos envolvidos. Achamos que eles erraram. Não há fatos, não há provas. Mas cometeram “desvios”.

Aí, nesse terreno de alta subjetividade, é que a condenação passa a fazer sentido. Os poucos fatos se juntam a uma concepção anterior e formam uma culpa.

A base deste raciocínio é a visão criminalizada de determinada política e determinados políticos.

(Sim. De uma vez por todas: não são todos os políticos. O mensalão PSDB-MG lembra, mais uma vez, que se fez uma distinção entre uns e outros.)

Os ministros se convenceram de que “sabem” que o governo “comprava apoio” no Congresso. Não contestam sequer a visão do procurador geral, que chega a falar em sistema de “suborno”, palavra tão forte, tão crua, que se evita empregar por revelar o absurdo de toda teoria.

Suborno, mesmo, sabemos de poucos e não envolvem o mensalão. Foram cometidos em 1998, na compra de votos para a reeleição. Mas pode ter havido, sim, casos de suborno.

Mas é preciso demonstrar, mesmo que não seja preciso uma conversa grampeada, como Fernando Rodrigues revelou em 1998.

Nesta visão, confunde-se compensações naturais da política universal com atitudes criminosas, como crimes comuns. Quer-se mostrar aos políticos como fazer politica – adequadamente.

Chega-se ao absurdo. Deputados do PT, que nada fariam para prejudicar um governo que só conseguiu chegar ao Planalto na quarta tentativa, são acusados de terem vendido seu apoio em troca de dinheiro. Não há debate, não há convencimento, não há avaliação de conjuntura. Não há política. Não há democracia – onde as pessoas fazem alianças, mudam de ideia, modificam prioridades. Como certas decisões de governo, como a reforma da Previdência, não pudessem ser modificadas, por motivos corretos ou errados, em nome do esforço para atravessar aquele ano terrível de 2003, sem crescimento, desemprego alto, pressão de todo lado.

A formula é tudo por dinheiro é nome de programa de TV, não de partido político.

Imagino se, por hipótese, a Carta ao Povo Brasileiro, que contrariou todos os programas que o PT já possuiu desde o encontro de fundação, no Colégio Sion, tivesse de ser aprovada pelo Congresso.

Tenho outra dúvida. Se este é um esquema criminoso, sem relação com a política, alguém poderia nos apresentar – entre os deputados, senadores, assessores incriminados – um caso de enriquecimento. Pelo menos um, por favor. Porque a diferença, elementar, para mim, é essa.

Dinheiro da política vai para a eleição, para a campanha, para pagar dívidas. Coisas, aliás, que a denuncia de Antônio Fernando de Souza, o primeiro procurador do caso, reconhece.

Decepção. Não há este caso. Nenhum político ficou rico com o mensalão. Se ficou, o que é possível, não se provou.

Claro que o Delúbio, deslumbrado, fumava charutos cubanos. Claro que Silvinho Pereira ganhou um Land Rover. A ex-mulher de Zé Dirceu, separada há anos, levou um apartamento e conseguiu um emprego.

Mas é disso que estamos falando? É este o “maior escândalo da história”?

Os desvios de dinheiro público, comprovados, são uma denúncia séria e grave. Deve ser apurada e os responsáveis, punidos.

Mas não sabemos sequer quanto o mensalão movimentou. Dois ministros conversaram sobre isso, ontem, e um deles concluiu que era coisa de R$ 150 milhões. Queria entender por que se chegou a este número.

Conforme a CPMI dos Correios, é muito mais. Só a Telemig – daquele empresário que ficou esquecido – compareceu com maravilhosos R$ 122 milhões, sendo razoável imaginar que, pelo estado de origem, seu destino tenha sido o modelo PSDB-MG. Mas o Visanet entregou R$ 92,1 milhões, diz a CPMI. A Usiminas – olha como é grande o braço mineiro – mandou R$ 32 milhões para as agências de Marcos Valério. Mas é bom advertir: isso está na CPMI, não é prova, não é condenação.

A principal testemunha, Roberto Jefferson, acusou, voltou atrás, acusou de novo… Fez o jogo que podia e que lhe convinha a cada momento. Disse até que o mensalão era uma criação mental. (Está lá, no depoimento à Polícia Federal).

Eu posso pinçar a frase que quiser e construir uma teoria. Você pode pinçar outra frase e construir outra teoria. Jefferson foi uma grande “obra aberta” do caso.

O nome disso é falta de provas.

Fonte: Artigo do jornalista Paulo Moreira Leite – 10/10/2012

Publicado por: jromarq | 25/10/2012

Hilariante saga de J Serra…

Deu com a cara no poste… De novo!!

Amiguinhos inseparáveis

Publicado por: jromarq | 23/10/2012

Haddad lá!!

Publicado por: jromarq | 16/10/2012

A Privataria Tucana e o Desmandato de Dom FHC

Assistam e divulguem o vídeo abaixo sobre a PRIVATARIA TUCANA. É imperativo! Vejam, e tentem não vomitar, constatando de maneira cabal como a Nação brasileira foi usurpada por Dom FHC e sua gangue em seus oito funestos anos de “desmandato“.

PIG (Partido da Imprensa Golpista) e PSTG (Partido do Supremo Tribunal Golpista) debocham, tripudiam da Nação. Ministro do Supremo não é – ou pelo menos não deveria ser – celebridade da moda: não tem que surgir em rede nacional, concedendo entrevista exclusiva a velhos monopólios de telecomunicação. Vivemos o supra-sumo do escárnio midiático. Fomos impingidos a engolir a seco a eleição (colegiada) do presidente do governo paralelo da república judicialista do Brasil, J Barbosa – que terá o único e insultante propósito de afrontar as forças democráticas que defendem o Estado de Direito em nosso país -, e, agora, temos que suportar sua deprimente e funesta figura em “horário nobre” global. Nossas forças políticas organizadas precisam reagir urgentemente :: Jorge Marques

    • Diga NÃO à violação do artigo 5º da Constituição Federal pelo STF!
    • Diga NÃO ao julgamento de exceção do STF!
    • Queremos que nossos representantes no Congresso Nacional se posicionem contra isso!

Caros deputados e senadores,

O atual silêncio da bancada petista nos incomoda. Vocês receberam milhões de votos de cidadãos e trabalhadores de todo o Brasil e devem sim honrar seus mandatos. Nós, cidadãos e eleitores do PT, estamos fartos de sermos chamados de desonestos, eleitores de “petralhas”, eleitores de bandidos, bandidos eleitores, achincalhados pelos grandes meios de comunicação (a atual ministra da Cultura e senadora por São Paulo, Marta Suplicy, eleita com milhões de votos de eleitores de São Paulo, escreve coluna periódica no jornal que mais nos achincalha, mais nos estigmatiza politicamente, a Folha de São Paulo, e isso é algo inconcebível). Tomem tenência!

Nós eleitores de vocês, deputados federais e senadores, queremos resposta imediata e sem delongas a este massacre midiático em que se converteu o julgamento da Ação Penal 470 no STF. Queremos pronunciamentos no Congresso já! Queremos declarações públicas de que este julgamento no STF é um julgamento de exceção, pois não somos eleitores leitores de Vejas da vida e nem dos jornalões. Sabemos o que se passa neste julgamento e por isso somos conscientes ao rotulá-lo como de exceção.

Por isso, como eleitores atentos, queremos já a manifestação dos senhores eleitos com nossos votos. Não é possível tamanho e constrangedor silêncio dos senhores deputados e senadores diante do que está ocorrendo neste país. Não é aceitável este silêncio que nos causa vergonha diante das absurdas condenações, posto que extravagantes, esdrúxulas e ao arrepio da Constituição Federal e dos direitos elementares dos cidadãos que estão sendo proferidas no STF. Estamos vivenciando um tribunal de exceção em plena democracia e isso exige dos outros poderes, os senhores, que se manifestem.

Provas estão sendo negligenciadas em prol de ilações e conjecturas. O ônus da prova da acusação, princípio basilar dos Direitos Fundamentais do Homem, perdeu-se no vendaval de absurdos que estamos assistindo, dia após dia, e os senhores se mantêm em silêncio obsequioso, sendo portadores do mais legítimo poder em uma democracia.

Nós, cidadãos do Brasil, trabalhadores, abundantemente abastecidos por informações que nos permitem entender claramente o que está acontecendo e eleitores dos senhores, exigimos que se manifestem imediatamente.

Sabemos que a Constituição Federal em seu artigo 5º inciso XXXVII preconiza de forma taxativa que não haverá juízo ou tribunal de exceção nesta República. Pois bem, estamos vivenciando este fundamental preceito constitucional violado pelo STF em nome das pressões da mídia monopolizada do Brasil, na qual o governo federal despeja rios de dinheiro. Trata-se de um julgamento venal, de exceção e que atinge o PT em suas origens e nós não aceitaremos isso. Estamos colocando em xeque a credibilidade do STF sim!

Por isso exigimos que vocês, nossos representantes, não se omitam nesta quadratura política e de tensionamento. Nós, cidadãos e eleitores de vocês, por isso, exigimos que honrem seus mandatos, em nome do que resta de democracia neste país.

Este movimento está apenas começando. Sabemos que responderão as nossas expectativas. Aguardaremos suas manifestações em plenário, nos blogs onde há livre manifestação de pensamentos e opiniões e em todos os espaços que julgarem fundamentais de modo a honrar os votos e a esperança das quais são depositários.

O que jamais aceitaremos é a omissão! Jamais! Nós, cidadãos, hoje sabemos que somos o real poder neste país.

    • A carta acima foi iniciativa do professor Osvaldo Ferreira no Facebook. Se concordar com seus termos, copie e encaminhe para os deputados e senadores do PT e das forças progressistas no Congresso Nacional. Abaixo estão alguns e-mails para serem enviados. Se tiver mais algum, deixe num comentário.
      1. dep.janeterochapieta@camara.gov.br 
      2. dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
      3. dep.beneditadasilva@camara.gov.br
      4. dep.angelovanhoni@camara.gov.br
      5. dep.candidovaccarezza@camara.gov.br
      6. dep.carlinhosalmeida@camara.gov.br
      7. dep.carloszarattini@camara.gov.br
      8. dep.delegadoprotogenes@camara.gov.br
      9. dep.devanirribeiro@camara.gov.br
      10. dep.dr.rosinha@camara.gov.br
      11. dep.henriquefontana@camara.gov.br
      12. dep.jilmartatto@camara.gov.br
      13. dep.josedefilippi@camara.gov.br
      14. dep.josementor@camara.gov.br
      15. dep.pauloteixeira@camara.gov.br
      16. dep.vicentinho@camara.gov.br
      17. ana.rita@senadora.gov.br
      18. angela.portela@senadora.gov.br
      19. anibal.diniz@senador.gov.br
      20. delcidio.amaral@senador.gov.br
      21. eduardo.suplicy@senador.gov.br
      22. humberto.costa@senador.gov.br
      23. jorgeviana.acre@senador.gov.br
      24. gab.josepimentel@senado.gov.br
      25. lindbergh.farias@senador.gov.br
      26. paulopaim@senador.gov.br
      27. pinheiro@senador.gov.br
      28. wellington.dias@senador.gov.br
Publicado por: jromarq | 11/10/2012

Lula: “O grande vencedor das eleições 2012”

Fernando Haddad, além de superar as profecias do início da campanha, passou para o segundo turno em posição bastante favorável

Eu pergunto quanto tempo nossos analistas de plantão vão levar para reconhecer o grande vitorioso do primeiro turno da eleição municipal.

Não, não foi Eduardo Campos, embora o PSB tenha obtido vitorias importantes no Recife e em Belo Horizonte.

Também não foi o PDT, ainda que a vitória de José Fortunatti em Porto Alegre tenha sido consagradora. Terá sido o PSOL? Os “novos partidos”?

O grande vitorioso de domingo foi Luiz Inácio Lula da Silva e é por isso que os coveiros de sua força política passaram o dia de ontem trocando sorrisos amarelos.

Nem sempre é fácil reconhecer o óbvio ululante. É mais fácil lembrar a derrota do PT no Piauí, ou em São Luís.

Mas o PT passou o PMDB e foi o partido que mais acumulou votos na eleição. Tinha 550 prefeituras. Agora tem mais de 600.

Vamos combinar: a principal aposta de Lula em 2012 foi Fernando Haddad que, superando as profecias do início da campanha, não só passou para o segundo turno mas entra nessa fase da disputa em posição bastante favorável. Em São Paulo se travou a mãe de todas as batalhas.

Imagino as frases prontas e as previsões sombrias sobre o futuro de Lula e do PT se Haddad tivesse ficado de fora…

A disputa no segundo turno está apenas no início e é cedo para qualquer previsão.

Mas é bom notar que as pesquisas indicam que Haddad é a segunda opção da maioria dos eleitores de Celso Russomano. Uma pesquisa disse até que Haddad poderia chegar em segundo no primeiro turno, mas tinha boas chances de vencer Serra, no segundo.

Qual o valor disso agora? Não sei. Mas é bom raciocinar com todas as informações.

Quem assistiu a pelo menos 30 minutos dos debates presidenciais sabe que Gabriel Chalita já tem lado definido desde o início – como adversário de José Serra. O que vai acontecer? Ninguém sabe.

O próprio Serra tem uma imensa taxa de rejeição, que limita, por si só, seu potencial de crescimento.

O apoio de Russomano tem um peso relativo. Se ele não conseguia controlar aliados quando era favorito e podia dar emprego para todo mundo, inclusive para uma peladona de biquini cor de rosa descrita como assessora, imagine agora como terá dificuldades para manter a, digamos, fidelidade partidária…

O mais provável é que seu eleitorado se divida em partes mais ou menos iguais. Não vejo hipótese da Igreja Universal ficar ao lado de José Serra. Nem Silas Malafaia com Haddad.

A votação de Haddad confirma a liderança de Lula e a disposição dos eleitores em defender o que ele representa. Mostra que o ambiente político de 2010, que levou a eleição de Dilma Rousseff, não foi revertido. Isso não definiu o resultado em cada cidade mas ajudou a compor a situação no país inteiro.

Os 40% de votos que Patrus Ananias obteve em Belo Horizonte mostram um desempenho bem razoável, considerando que o tamanho do condomínio adversário.

Quem define a boa vitória de Lacerda como uma vitória de Aécio sobre Dilma incide no pecado da ejaculação precoce.

O grande derrotado do primeiro turno, que mede a força original de cada partido, não aquilo que se pode conquistar com alianças da segunda fase, foi o PSDB.

O desempenho tucano sequer qualifica o partido como oponente nacional do PT. Perdeu eleição em Curitiba, onde seu concorrente tinha apoio do governador de Estado, desapareceu em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, terra do vice de José Serra em 2010 – que não é tucano, por sinal. Se a principal vitória do PSDB foi com um candidato do PSB é porque alguma coisa está errada, concorda?

Respeitado por ter chegado em primeiro lugar em São Paulo, Serra já teve desempenhos melhores.

As cenas finais da campanha foram os votos do julgamento do mensalão, transmitidos em horário nobre durante um mês inteiro. Tinham muito mais audiência do que os programas do horário político.

Antes que analistas preconceituosos voltem a dizer que a população de renda mais baixa tem uma postura menos apegada a princípios éticos – suposição que jamais foi confirmada por pesquisadores sérios — talvez seja prudente recordar que o eleitor é muito mais astuto do que muitos gostariam.

Sabe separar as coisas.

Aprendeu a decodificar o discurso moralista, severo com uns, benigno com outros, como a turma do mensalão do PSDB-MG, os empresários que jamais foram denunciados na hora devida…

Anunciava-se, até agora, que a eleição seria nacionalizada e levaria a um julgamento de Lula.

Não foi. O pleito mostra que o eleitor não mudou de opinião.

O eleitor mostrou, mais uma vez, que adora rir por último.

Fonte: artigo escrito por Paulo Moreira Leite, 08 de outubro de 2012, revista Época

Publicado por: jromarq | 09/10/2012

Meu desagravo a Dirceu

Por que devemos anuir ou avalizar decisões tomadas por esse colégio de togados que não precisa submeter seus postos, seus cargos públicos à sanção do Povo, através do voto? Aliás, cabe ressaltar que todos eles são funcionários públicos. Portanto, somos nós, o Povo, que pagamos suas régias remunerações; e isso aumenta, ainda mais, meu sentimento de revolta e indignação

Respondam-me, por favor: “Nós devemos aceitar a decisão do PSTG, por quê?” O PSTGPartido do Supremo Tribunal Golpista, “livrou a cara” dos seguintes meliantes (apenas para citar dois exemplos): os banqueiros Daniel Dantas e Salvatore Cacciola. Esse   tribunal de exceção inocentou Fernando Collor de Mello! J Barbosa, o relator do processo, muito tempo antes do “julgamento”, afirmara em público, inúmeras vezes, que votaria pela condenação de Dirceu. Ou seja, declarou com todas as letras que votaria sem examinar os autos dos argumentos da defesa. Ora, se um magistrado de instâncias inferiores, antes de um julgamento, proferir em público semelhante afirmação, salvo equívoco de minha parte, poderá ser impedido de comandar o tribunal. Contudo, os supremos ministros são intocáveis, tudo podem e a ninguém devem satisfações. R Gurgel, procurador geral da república que denunciou o caso, vem obstando sistematicamente, de todas as formas possíveis e imagináveis, o andamento das investigações referentes a CPMI do Cachoeira (esse sim o maior escândalo político de corrupção de toda a história republicana brasileira). Sendo assim, por que devemos anuir ou avalizar decisões tomadas por esse colégio de togados que não precisa submeter seus postos, seus cargos públicos à sanção do Povo, através do voto? Aliás, cabe ressaltar que todos eles são funcionários públicos. Portanto, somos nós, o Povo, que pagamos suas régias remunerações; e isso aumenta, ainda mais, meu sentimento de revolta e indignação. Então, esclareçam-me por obséquio… Estou com uma “brutal dificuldade” de entendimento.  Repito: “Por que devemos aceitar a decisão do PSTG?”. Com efeito, não devemos NÃO! Precisamos reagir, e de forma dura, categórica. O que ocorreu no Supremo Circo não poderia ter sido outra coisa: “Uma verdadeira palhaçada!”. Nossa jovem “Democracia” está de luto, e, neste estado, permanecerá durante muitos anos – ainda que, algum dia, por algum desses milagres proporcionados pelo destino, nosso companheiro e eterno líder Dirceu venha a ser inocentado em outro tribunal, em outro julgamento. Serei bastante severo em meu arrazoado: trata-se de um episódio ainda mais grave e hediondo do que o golpe militar que submeteu nosso país a uma odiosa e sanguinolenta ditadura, muito pior do que o AI-5. Nesses nefandos idos, pelo menos sabíamos com quem estávamos lidando; os facínoras estavam de um lado e os guerreiros heróicos (entre eles, Dirceu) de outro. Simples assim. Agora, não! Os facínoras “ultrajam-se” de togas e alguns de nossos guerreiros sentam no banco dos réus, e tudo sob a obstinada anuência, sob o implacável abrigo da imprensa neoliberal elitista, da imprensa golpista. No meu modesto entendimento instaura-se e consolida-se, a partir de hoje, em sombria data histórica, um novo regime: o Judicialismo. Regime que nos atola num clima tanto mais inquietante e perturbador pelo seu intrínseco caráter de articulação de poderes no submundo da política, pela sua inesgotável capacidade de atuação nessa área. Portanto, um regime espúrio, mas intensamente atuante nas entranhas, nas vísceras do legítimo regime empossado pelo Povo. É a “vitória” da prepotência, da tirania, do desmando dos vilões. Preceitos fundamentais de nossa Constituição Federal foram, simplesmente, rasgados: agora, qualquer um pode ser acusado e condenado sem o ônus da prova e, até, sem julgamento. Dirceu e Genuíno foram acusados e condenados sem provas e sem julgamento. Escrevi, há pouco, que nossa jovem Democracia está de luto. Pois serei mais duro: “Nove de outubro de 2012, morre a Democracia Brasileira“.

Publicado por: jromarq | 09/10/2012

HADDAD: “Havemos prefeito!”

Três fatores essenciais me levam a crer que Haddad vencerá a eleição para a prefeitura de São Paulo

1) A diferença percentual mínima em relação ao adversário do 2º. turno;

2) Quem votou no Russomanno, o fez por duas razões centrais:

a) Não votaria no Serra sob hipótese alguma;

b) Ficou em DÚVIDA em relação ao Haddad;

3) Quem votou no Chalita, também o fez pelas duas razões centrais expostas acima.

Ora, no que diz respeito àqueles que ficaram em DÚVIDA no 1º. turno e, ao mesmo tempo, jamais votariam no Serra, é bastante razoável supor que, em sua grande maioria, votarão no HADDAD (arrisco-me, ainda, a salientar que tais opções não estarão necessariamente sujeitas a eventuais adesões de Russomanno e/ou Chalita à campanha de Haddad). Portanto, permitam-me como eleitor convicto e entusiasta de Haddad e do PT manifestar-me com um pouco mais, digamos, de intensidade eufórica: “É caixa!”; “Passa a régua e fecha a conta!”; “Já era, é nóis!”; “São Paulo NÃO ERRA, São Paulo NÃO elegerá o Serra!”; “São Paulo quer ética e dignidade, por isso elegerá o HADDAD!”.

Publicado por: jromarq | 07/10/2012

A estrela do PT há de brilhar novamente em Sampa…

Publicado por: jromarq | 01/10/2012

VietDay: um dia de caos!

Devaneio, narrativa ficcional? Não, pura crônica do cotidiano; fatos densos o suficiente para serem empregados nos mais movimentados roteiros de Spike Lee

Numa ponta, o aparelho repressor do estado, noutra, a criminalidade; e, bem no meio, no fogo cruzado, na beligerância incrustada no cotidiano da periferia, a população indefesa, o cidadão comum, o trabalhador perplexo e estarrecido. Ninguém pediu viaturas ou helicópteros, mas eles estavam lá; no fundo, ninguém gosta de “bandido”, mas eles estão lá, transitam de um lado para o outro absolutamente à vontade, incólumes, já como partes integrantes da paisagem: pela manhã, muitas vezes, acordamos embalados pelo mágico canto dos bem-te-vis, contudo, também atormentados pelo vozerio embaixo das janelas a declarar, sem o menor constrangimento, feitos e peripécias no mundo do tráfico, no submundo das drogas… Leiam mais

Os inequívocos atos de vilania e perfídia sub-reptícios nos escaninhos do chamado julgamento do mensalão constituem um abominável acinte contra a verdadeira Democracia e o Estado de Direito

Vídeo produzido pelo companheiro Alexandre Cesar Costa Teixeira que traz à baila questões sérias e contundentes sobre a farsa, o dantesco picadeiro montado pelo “procurador-geral da República”, Roberto Monteiro Gurgel Santos, em sua “denúncia” que fundamentou a instauração do chamado julgamento do mensalão (AP 470), cujos lúgubres propósitos, a cada dia, tornam-se mais claros: atingir e enxovalhar Lula, Dirceu e o PT. Assistam o vídeo, visitem o blog do Alexandre (megacidadania.com) e leiam os documentos (legítimos e oficiais) referentes à AP 470 que já estão disponíveis para livre acesso a todos os homens e mulheres de bem que estiverem interessados na verdade, no esclarecimento.

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