Publicado por: jromarq | 12/08/2009

Serra compra trem pela internet!

cyber-embuste

Você faria uma compra de R$ 500 milhões a partir de uma pesquisa de preços na internet? E se a compra fosse de equipamentos tão complexos cuja descrição dos detalhes demanda a elaboração de centenas de páginas? Pois é! Inacreditavelmente o Metrô de São Paulo fez a tal “pesquisa”. O fato ocorreu em 2007, já na gestão do governador José Serra (PSDB). Segundo a Folha, o Metrô acertou os preços que pagará por supostos trens produzidos pela multinacional francesa Alstom, a partir de pesquisa – pasmem! – na internet. A empresa paulista alega que as “bases financeiras do contrato não faziam sentido, devido às alterações de moeda e cenário econômico”. Para apurar o preço dos trens, o Metrô diz ter pesquisado, através da internet, o valor pago em 13 cidades do mundo. As principais fontes do “levantamento” são os fabricantes Alstom, Ansaldo Breda, Bombardier, CAF e Siemens, em textos que, na verdade, constituem meras peças de propaganda em forma de comunicado. Questões que, em geral, influenciam compras desse porte – risco-país, condições de financiamento, câmbio, etc. – simplesmente foram ignoradas. Elementar, meu caro contribuinte: a Alstom vem sendo investigada, no Brasil e no exterior, sob suspeita de ter pago propina para obter contratos com o governo paulista. Documentos em poder de promotores suíços citam pagamentos a tucanos (PSDB) em troca de contratos com Metrô e Eletropaulo. O engenheiro de transporte Fernando MacDowell, que projetou o Metrô do Rio, diz que “a internet é absolutamente falha” para essa pesquisa. “Ninguém dá detalhes nem o preço total de item por item“. Para o advogado Márcio Cammarosano, professor da PUC-SP especializado em direito público, o preço menor deveria ter sido provado durante processo de licitação. O advogado Toshio Mukai, especializado em licitações, diz que “não dá para fazer uma compra desse valor [R$ 499,8 milhões] com uma pesquisa pela internet” porque variáveis fundamentais para a composição do preço não aparecem em tais levantamentos. A empresa pretexta, alegando usar um “complexo sistema para levantamento de preços“. Realmente, meu caro José Jorge Fagali (atual presidente do Metrô), trata-se de um sistema, convenhamos, bastante “complexo”.

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