Publicado por: jromarq | 17/08/2009

PSDBando: “Ética, ora a ética…”

serra-cpi-1

Os critérios de apreciação e instauração de CPIs, na ótica tucanista, devem “variar” segundo os foros implicados; em outras palavras, se as investigações envolverem partidários ou aliados do PSDB o nível de rigor terá uma medida bastante branda, mas se envolverem adversários (em particular o PT) o termômetro “ético” terá sua temperatura elevada aos píncaros e a bandeira da “moral e dos bons costumes” soerguer-se-á intrépida e altaneira. Ou seja, na Alesp (Assembléia Legislativa de São Paulo) absoluta inércia e brandura, já no Senado, furor e convulsão teatralesca.  Recordemos certos desdobramentos da “CPI” da Eletropaulo na Alesp, que, supostamente, investigaria as irregularidades no processo de privatização da estatal paulista de energia. A Eletropaulo foi vendida na onda das privatizações no final dos anos 90, a partir do Programa de Estímulo à Privatização Estadual, do BNDES. Na época, o banco financiou até 50% do valor da operação. A ata da reunião com o BNDES mostra, claramente, uma prorrogação do prazo de carência por 24 meses à Eletropaulo aprovada sem nenhuma análise técnica anterior. Apenas esse fato gerou prejuízos na ordem de R$ 50 a R$ 60 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público Federal questionou a concessão de empréstimo para a privatização da Eletropaulo, sob a alegação de que o BNDES avaliou o risco de praticamente todas as empresas envolvidas na operação, exceto o grupo Ligh – que efetivamente ficou com o controle da estatal paulista. Resumo da ópera: rapidamente a “CPI” foi – pasmem! – arquivada sem um único pedido de indiciamento. A Alstom, multinacional francesa acusada de pagar propina a tucanos para obter vantagens em contratos – inclusive com a Eletropaulo –, amplamente investigada no Brasil e no exterior, nem sequer foi citada no relatório final. Na época, o relatório do deputado João Caramez (PSDB) que arquivou a CPI foi aprovado com os votos dos deputados do PSDB, DEM e PV – vejam só, logo o PV que, agora, quer arregimentar a senadora Marina Silva – contra um  do PT. Na ocasião, o deputado Antonio Mentor (PT) declarou que o arquivamento foi uma vergonha; um verdadeiro absurdo. A oposição anexou, então, ao relatório final um “voto em separado”, que seria enviado ao Ministério Público Federal em SP e no RJ, e ao Ministério Público Estadual de São Paulo, os quais já tinham realizado investigações sobre o mesmo caso. E mais: os tucanos impediriam, ainda, a criação da CPI referente ao caso Alstom.  É sempre bom lembrar que o caso pode – e deve! – ser levado à Câmara Federal. Pelo visto, para o tucano J Serra, o conceito de ética deve ser bastante relativo e maleável. Tudo sempre dependerá, digamos, dos atores envolvidos e dos casos considerados.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: