Publicado por: jromarq | 25/08/2009

O submundo do tucanato

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Como todos sabem, ou pelo menos deveriam saber, a CPI da Eletropaulo foi, de maneira despótica, arquivada no ano passado. A multinacional francesa Alstom, sobejamente investigada no Brasil e no exterior por fechar contratos fraudulentos, superfaturados e por pagamento de propina, entrou nas investigações da CPI, mas foi, na época, de forma bastante oportuna, excluída do relatório final pela bancada tucano-demonista que detinha total controle da comissão. Desse modo, inúmeras questões ficaram sem o devido esclarecimento. Podemos lembrar o exemplo do sociólogo Claudio Mendes, pivô na investigação da Alstom na negociação dos tais contratos irregulares, que foi citado num memorando da Cegelec – empresa comprada pela Alstom – como “um intermediário do governo de São Paulo“. No referido documento, executivos franceses discutem o pagamento de 7,5% para obter um contrato de R$ 110 milhões da Eletropaulo – o valor da propina, portanto, seria de R$ 8,25 milhões. Promotores suíços que investigam as negociatas da Alstom com políticos tucanos têm informações incontestáveis de que Mendes e seus associados receberam cerca de cinco milhões de dólares em “afagos monetários”. A propina visava garantir que a Alstom ganhasse contratos do governo paulista para fornecer equipamentos na área de energia (Eletropaulo) e transporte ferroviário (Metrô, CPTM). Outro obscuro personagem nesse sórdido – e devidamente engavetado episódio – é o engenheiro Jean-Pierre Courtadon, que declarou ao Ministério Público que Mendes vendia facilidades e contatos com pessoas do governo de São Paulo para empresas da área de energia. Na verdade, ambos foram investigados no caso Alstom sob suspeita de terem recebido recursos que depois foram distribuídos para políticos do PSDB paulista. Documentos mantidos sob sigilo pelos promotores suíços citam o nome de Courtadon, francês naturalizado brasileiro, revelando que a Cegelec estava disposta a pagar uma comissão de 7,5%. Outras provas contra a Alstom, em poder do ministério público da Suíça, mostram que a propina paga pela empresa chegou aos políticos tucanos de São Paulo por meio de dois doleiros; isso mesmo, dois doleiros. Uma planilha com as transferências revela que cerca de um milhão de dólares usados para suborno passaram pelas contas de dois doleiros em Nova York. As contas foram identificadas como Orange International e Kiesser Investment. A Orange (laranja!) é de propriedade de um dos doleiros mais conhecidos entre os empresários de São Paulo, Luis Filipe Malhão e Souza. A Kiesser, outra conta pela qual transitou o dinheiro, pertence a três doleiros do Rio de Janeiro, segundo a Polícia Federal: Raul Davies Mendez, Guilhermo Davies e Jorge Davies. Negociatas, falcatruas, propinas, doleiros, contratos superfaturados, venda de favores e contatos, conchavos escusos: esse é o tucano-demonismo que pretende governar o país. Personagens sinistros, dignos das mais intrincadas tramas policialescas hollywoodianas, pululam no subsolo; no submundo da política.

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Responses

  1. Eu não voto nele!


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