Publicado por: jromarq | 28/08/2009

Por que Dilma presidente?

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Se na vida pessoal é importante parar para refletir como estamos nos relacionando com nossas ambições e quais são as reais motivações que nos movem, na vida política é preciso atentar para os torneios lingüísticos cheios de subentendidos da oposição brasileira. Nos dois casos, os jogos de aparência não costumam resistir por muito tempo. Buscar conhecer bem os percalços, intimidades e armadilhas de discursos que, de tão repetidos, se incorporaram à rotina da pequena política nos leva a enxergar melhor como a sabotagem institucional é, desde sempre, imperativo de sobrevivência da direita [PSDB/DEM] brasileira”. (Fonte: Site Oficial do PT ).

Fiz questão de abrir este texto, citando um trecho do artigo publicado no site oficial do Partido dos Trabalhadores, que propõe uma reflexão bastante oportuna sobre a diferença que existe entre o que dizem tucanos e demonistas e o conceito de verdade com o qual todos estamos habituados a lidar. Diuturnamente ouvimos, através da mídia (a mídia golpista), figuras sombrias, representantes daquilo o que existe de pior, de mais nefasto em nossa história política, apresentando ao público, muitas vezes incauto, os mais absurdos impropérios, as mais inadmissíveis sandices, com se fossem a essência da verdade em seu estado primeiro e incólume. Assim, a palavra de funcionários públicos demitidos por falta de qualificação técnica, adquire status de declaração oficiosa e incontestável; afirmações provenientes de políticos que, outrora, sustentaram a barbárie dos carrascos da ditadura militar, avolumam-se e, “reluzentes”, ressoam como trombetas “divinas” a consolidarem o resgate incondicional da ética absoluta. De fato, constitui uma inaceitável afronta aos mais elementares preceitos da lógica e da racionalidade presenciar figuras torpes, como o senador Demóstenes Torres (DEM) – subitamente imbuído de uma cínica e surrealista postura de altivez –, cerceando na CCJ as palavras do senador Aloizio Mercadante do PT. Agora querem, de qualquer maneira, que “engulamos e digiramos” a falseta, a blasonaria de que a senhora Lina Vieira é o infalível oráculo e a ministra Dilma Rousseff uma mitômana compulsiva. Inconcebível, portanto. Então pergunto: “Quem é, quem foi ou quem será Lina Vieira? Alguém sabe?”. Já sobre a ministra muito há o que dizer; e podemos começar por uma ligeira passagem biográfica. Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947 no estado de Minas Gerais. Seu pai era um promotor búlgaro naturalizado e com cidadania brasileira. Dilma teve participação ativa na luta heróica contra a Ditadura Militar, ainda aos 19 anos. Nessa época, cursava economia em Minas Gerais. Foi implacavelmente perseguida e capturada pelos carrascos da ditadura militar e aprisionada por três anos (um dos facínoras responsáveis pelo seu martírio na prisão, certa vez, com puro escárnio, referiu-se a Dilma como “a Joana D’arc dos subversivos”). Um longo período de brutal tortura, durante o qual teve, inclusive, sua essência feminina invadida e vilipendiada. Foi presidente da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (1991-1993); Secretária de Energia, Minas e Comunicações (1993-1994). Dilma, posteriormente, assumiria o posto de Secretária Estadual de Minas pelo governo do Partido dos Trabalhadores de Olívio Dutra (1999-2002). Foi, também, um membro chave na equipe de transição do governo Lula em 2003. Lula, então, a nomeou Ministra de Minas e Energia. A Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem grau de Mestre em Teoria Econômica pela Universidade de Campinas. Em 1992, participou como visitante de um programa internacional nos EUA. Tem uma filha, Paula, com quem procura passar os finais de semana, em Porto Alegre, sempre que possível. Dilma é uma cidadã como todos nós: gosta de cinema, música clássica, etc. A ministra adquiriu a reputação de negociadora severa; de ser persistente e de prestar muita atenção nos detalhes. Um de seus maiores feitos como Ministra de Minas e Energia foi o desenvolvimento de um novo modelo para o setor elétrico brasileiro, que busca reduzir preços ao consumidor através de contratos mais longos para fornecimento entre geradoras e distribuidores. Outras ações implementadas durante sua gestão incluem o programa “Luz para Todos” e o estabelecimento de sólidas diretrizes focadas no desenvolvimento do Biodiesel. Nos anos de chumbo (ditadura militar), ela foi Estela, Luiza, Maria Lúcia, Marina, Patrícia e Wanda. Chamada de “companheira de armas” pelo antecessor José Dirceu, a primeira mulher a chefiar a Casa Civil no Brasil, a ministra Dilma Rousseff, tem uma trajetória afinada com a história recente do País. Com apenas dezenove anos, ingressou nas organizações democráticas de combate à ditadura militar (1964-1985), em Belo Horizonte, cidade em que nasceu. Poderíamos acrescentar mais; muito mais. Todavia, considero aqui mais relevante destacar o que Dilma significa sob a ótica da imagem da mulher. Dilma nasceu e se formou no contexto opressor de uma sociedade totalitária e machista. Contudo, tal conjuntura não a deteve; não representou obstáculo para que ela cerrasse fileiras com denodados idealistas que jamais se intimidaram na luta, muitas vezes sangrenta, pela conquista de um mundo melhor e mais justo. Ainda menina, enfrentou fuzis e baionetas, enquanto pôde, apenas com palavras e idéias. Mas, quando foi preciso, soube lutar de maneira arrojada e destemida. Com muito mais vigor e bravura do que a maior parte dos homens pode esperar a respeito de si mesmos em condições semelhantes; em situações de pressão extrema, de extrema agrura. Dilma suportou a tortura, suportou o sofrimento atroz, suportou a visão daquilo o que nosso parco léxico sequer pode abstrair: nenhuma palavra é capaz de exprimir os momentos que Dilma viveu nas mãos dos facínoras da ditadura militar. Dilma presenciou o mal em seu estado genuíno, o mal absoluto e descomedido. E, no entanto, não entregou seus companheiros; foi grande e digna o bastante para mentir heroicamente e salvar vidas. Ao me deparar com o exemplo histórico da menina Dilma, sinto vergonha de ser homem. Mas, ao ter o privilégio de presenciar a mulher em que ela se transformou, sinto orgulho de ser humano e brasileiro. Na presidência, Dilma Rousseff não encarnará apenas o supra-sumo da eficácia, produtividade e visão de Estado; Dilma será a guerreira que o Brasil precisa para enfrentar os ingentes desafios de uma Nação que não é mais a do futuro, mas, sim, do presente.

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