Publicado por: jromarq | 29/01/2010

Serra culpa São Pedro!

Um assunto sobre o qual tenho evitado comentários e abordagens mais pormenorizados é a respeito das questões relacionadas às enchentes em São Paulo. De fato, não quero incorrer na mesma modalidade de postura sórdida e pusilânime dos adversários do governo Lula, que não tiveram a menor complacência, o menor escrúpulo ou pudor nas críticas exacerbadas e, na maior parte dos casos, improcedentes a respeito dos transtornos causados pela chamada “crise” no setor aéreo; ou, mais recentemente, nas assertivas falaciosas e ficcionais – sobejamente alardeadas através da mídia – relativas ao blecaute ocorrido em nosso país no dia 10/11/09. Os transtornos causados pelo excesso de demanda no setor aéreo, em decorrência do crescimento econômico, foram tratados pela imprensa tendenciosa e pela oposição como incompetência do governo que não teria feito investimentos necessários, e as tragédias provocadas por uma empresa área que, na verdade, há muito não deveria mais estar operando no mercado e por uma dupla de ianques celerados que resolveram transformar nosso espaço aéreo num parque de diversões particular, foram, de maneira inconseqüente, imputadas ao governo federal; as informações relacionadas ao blecaute ocorrido em novembro (comprovadamente causado por intempéries climáticas) foram apresentadas à opinião pública de maneira distorcida, dissimulada e com brutal estardalhaço – na verdade, o que se pretendeu na época foi a eclosão de um clima de caos político (felizmente malogrado). Como se vê, “raciocínio” tosco; digno dos mais solertes, dos incônscios.

Desse modo, é imprescindível considerar que o fenômeno das enchentes se deve, em grande parte, às anomalias climáticas decorrentes da ação predatória do homem em relação à natureza (destruição da ozonosfera, efeito estufa, aquecimento global). Contudo, feito o devido preâmbulo, retornemos à funesta realidade de São Paulo. De fato, a cidade está abandonada; é só uma questão de olhar em volta: vias e espaços públicos imundos, insegurança, saneamento básico precário, transporte coletivo deficitário e caro, educação e saúde caindo aos pedaços (tudo isso a despeito do fato do governo federal, constantemente, repassar bilhões em recursos do PAC aos estados e municípios). Que uso tem sido feito de todo esse dinheiro? Não foram construídos novos piscinões; nada, ou quase nada foi investido em obras de infra–estrutura (limpeza de córregos, bueiros, esgotos e margens do Rio Tietê). Desse modo, São Paulo tem experimentado dias de caos com chuvas torrenciais, cujas conseqüências são  enchentes, desabamentos, milhares de desabrigados, prejuízos incalculáveis aos contribuintes e dezenas de vidas humanas ceifadas. O “governador” tucano José Serra e o “prefeito” Gilberto Kassab do DEM(O) se esquivam de modo pusilânime, e o PIG (Partido da Imprensa Golpista) faz de conta que a dupla dinâmica não tem nenhuma responsabilidade no que diz respeito a essa trágica situação. Serra, que cinicamente se diz amigo dos pobres (só faltava nosso “insigne” mandatário local declarar-se inimigo dos mais carentes), gasta milhões de reais em projetos equivocados como a ampliação da marginal do Tietê. A obra é apontada por especialistas como responsável pela perda de área permeável e pelo transbordamento do rio. Já a cria do tucano, Kassab, cortou em 20% o orçamento da limpeza pública da cidade – inacreditável! O resultado, óbvio, veio com bueiros estourados espalhando o lixo que a “administração” tucano–demonista teima em tentar esconder.

A despeito da crueza e contundência dos fatos, as alas golpistas da imprensa permanecem inertes; aparentemente não querem importunar nossos “intrépidos” governantes. Serra, investido de um incomensurável cinismo, culpa a natureza pelas enchentes: “É culpa da natureza que se rebela. Temos que rezar para que isso não se repita”, vem decretando o tucano. A “imprensa” não questiona o governador sobre a obra da marginal do Tietê; nem tão pouco o prefeito sobre o corte no orçamento relativo a obras de infra–estrutura. Para o PIG, Serra e Kassab são inocentes. É sempre bom lembrar que as mesmas vozes que, hoje, se arvoram senhores da democracia isentando tucanos e demonistas, outrora, execraram Erundina e Marta quando estas ocuparam o cargo de prefeitas de São Paulo pelo PT. Muito curiosa essa lógica: com Marta e Erundina a responsabilidade integral das enchentes – as quais, diga–se de passagem, ocorriam com muito menos intensidade e freqüência – era do PT, mas, agora, DEM(O) e PSDB, com Serra/Kassab, estão livres de qualquer tipo de imputação. Então, o que vemos? Veículos particulares totalmente submersos; ônibus que não conseguem atravessar áreas inundadas; em vários dias a cidade chegando a ter 55 pontos de alagamento simultâneos; deslizamentos, desabamentos; lixo e esgoto expostos a céu aberto, deixando a população à mercê de insetos, roedores e doenças infecto–contagiosas; e o que é pior, dezenas de vidas que se perdem de maneira trágica e inglória. Enquanto tudo isso acontece, nosso governador, o Zé Alagão, continua vomitando suas pérolas: “A culpa das enchentes é da água”. Claro, por que não pensamos nisso antes?! Rir para não chorar…  É dessa forma que manifestações espontâneas da população indignada explodem pelos quatro cantos da maior cidade do país; moradores, contribuintes da Paulicéia – literalmente – Desvairada revoltam-se contra o caos imposto à cidade por Serra e Kassab. E não é para menos: o número de doenças relacionadas à falta de saneamento básico adequado vem crescendo na região metropolitana de São Paulo (o que ficou muito mais claro com a ocorrência das enchentes); na periferia são registrados surtos de hepatite A e de doenças diarréicas (a contaminação pode acontecer pelo contato com água poluída, com urina, fezes humanas ou de animais, por bactérias ou vírus); doenças transmitidas por água já são responsáveis por mais de 63% das internações pediátricas no Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com o infectologista Artur Timerman, do Hospital Albert Einstein e do Instituto Trata Brasil.

Entretanto, sem dúvida, o exemplo mais grave, mais revoltante da desfaçatez e do descaso da “administração” tucano–demonista para com a população paulistana (sobretudo a mais carente) é o caso do Jardim Romano e adjacências, na zona leste, cujos moradores tiveram que conviver durante semanas com água misturada ao esgoto. Nesse tipo de situação torna–se muito maior ainda “o risco de contrair leptospirose, hepatite A, diarréia, febre tifóide. Aquilo tudo é um esgoto a céu aberto. Essas pessoas precisavam tomar vacina contra hepatite, antibiótico contra leptospirose. Mas parece que isso não está acontecendo”, vem alertando o infectologista Artur Timerman. O médico ressalta que casos de leptospirose tendem a surgir, pois o período de incubação da doença é de cinco a sete dias. “Casos de hepatite A começarão a surgir entre duas e quatro semanas”, afirmou. Restam-nos, assim, algumas percepções bastante perturbadoras: “O pobre incomoda numa área muito próxima da  população, como a Marginal Tietê? Alaga-se o bairro com descarga de esgoto da Sabesp. A favela está num terreno da prefeitura ou de algum figurão da elite paulistana? O incêndio na calada da noite se ocupa de limpar a área”. Desse modo, então, Serra e seu assecla, o Kassab, ajudam a “acabar com a pobreza” em São Paulo. O mais incrível é que o primeiro quer ser presidente e o segundo, a qualquer custo, pretende chegar ao governo estadual. É preciso que fique bastante claro que minha pretensão, aqui, consiste unicamente em propor reflexão; um exame sóbrio e isento concernente a todas as calamidades que vêm assolando o estado. Precisamos identificar, de maneira clara, qual a orientação administrava tucano–demonista; quais interesses são defendidos por suas lideranças. Enquanto o presidente Lula e Dilma, seu braço direito, governam para todos e de modo muito particular para os mais carentes, Serra/FHC e Kassab governam para a elite tradicionalmente detentora do poder econômico e político no país. Lula e Dilma defendem a coesão da sociedade, os interesses do Estado brasileiro; Serra/FHC e Kassab ainda se apegam ao tacanho e anacrônico entreguismo neoliberal da “banda podre” da América Latina. Em suma, Lula e Dilma sempre irão priorizar as questões sociais, os interesses maiores da população; Serra/FHC e Kassab, pelo que lhes é inato, invariavelmente sempre tomarão decisões favoráveis aos negócios do capital privado. Portanto, ao PSDB e ao DEM(O) pouco importam enchentes, bueiros entupidos, esgoto a céu aberto e doenças infecto–contagiosas, desde de que contratos milionários e superfaturados sejam assinados.

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