Publicado por: jromarq | 27/02/2010

Mensalões do tucanato: Azeredão

Reconheço que talvez seja anacronismo, mas, desde muito cedo, aprendi que dinheiro deve ser depositado em contas bancárias. Pelo visto, entretanto, não é o que pensam determinados políticos do submundo tucano-demonista que consideram meias e cuecas métodos, digamos, bem mais adequados e “seguros”. Ironias à parte, o fato é que tem me causado um nível bastante elevado de apreensão a maneira como a mídia, de modo geral, vem abordando os temas relacionados aos inúmeros mensalões que envolvem políticos do PSDB e Democratas nos mais diversos escalões: deputados, senadores, prefeitos, secretários, ex–ministros, governadores. Desse modo, o despeito do mar de lamas em que se transformou a capital federal, é inquietante constatar como integrantes da cúpula demonista tentam convencer a opinião pública de que os fatos oriundos de Brasília pouca ou nenhuma relação têm com os demais integrantes do partido; como se o JR Arruda tivesse agido de maneira absolutamente isolada; como se Brasília fosse um arquipélago apartado da federação, sem relações econômicas e institucionais com grandes conglomerados estrangeiros (Alstom do Brasil – e do governador J Serra –, por exemplo). É perturbador ter que engolir a falseta da CPI do mensalão gaúcho da “governadora” Yeda Cruzius; o silêncio da mídia no que diz respeito ao caso do mensalão mineiro do senador Eduardo Azeredo (PSDB), ex–governador de Minas Gerais. Essencialmente por essas razões, a partir de hoje, serão publicados neste blog alguns textos cujo propósito central consiste em resgatar a memória dos Mensalões do tucanato, começando pelo caso do senador Azeredo. Um dos principais caciques do tucanato, Azeredo já é réu no STF – Supremo Tribunal Federal por envolvimento com crimes de peculato (uso de cargo público em benefício próprio) e lavagem de dinheiro no esquema de desvio de recursos públicos durante a campanha de 1998 ao governo de Minas Gerais (também conhecido como mensalão tucano). Cabe lembrar que o processo contra o ex-governador tramita no STF em virtude da prerrogativa de função – em maio de 2009, o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, ordenou que apenas Eduardo Azeredo respondesse aos crimes fora da Justiça Federal de primeira instância. O senador tucano é apontado pela Polícia Federal como mentor e principal beneficiário do esquema de arrecadação ilegal de recursos das eleições de 1998, quando disputou o governo do Estado de Minas. A PF apurou que a coligação de Azeredo arrecadou mais de R$ 80 milhões na campanha, declarando à Justiça Eleitoral apenas R$ 8,22 milhões. Do total gasto, conforme perícia do Instituto Nacional de Criminalística, R$ 10,8 milhões foram doados a mais de 170 candidatos da coligação. Entre os candidatos tucanos, um dos mais aquinhoados foi o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que recebeu R$ 110 mil. O inquérito, assinado pelo delegado Luiz Flávio Zampronha, tem 172 páginas. Segundo a perícia, a maior parte do dinheiro veio dos cofres públicos, sobretudo de cinco estatais: Copasa, Bemge, Cemig e Fundação Duprat. O restante foi doado, clandestinamente, por grandes empresas prestadoras de serviço em Minas Gerais.

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