Publicado por: jromarq | 27/02/2010

Mensalões do tucanato: Yedão

Mais de R$ 44 milhões usurpados dos cofres públicos gaúchos; provas incontestáveis; mobilização popular intensa... Mesmo assim, a CPI do mensalão da Yeda acabou numa enorme e asquerosa pizza.

Dia cinco de agosto de 2009, a Procuradoria da República no Rio Grande do Sul ingressa com uma ação civil pública contra a governadora Yeda Cruzius (PSDB) mais oito pessoas por improbidade administrativa. Na ação, os procuradores pedem o afastamento da governadora e dos outros agentes públicos. A Procuradoria pediu, também, que a Justiça determinasse a indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos com o propósito de garantir a devolução integral aos cofres públicos dos valores desviados (mais de R$ 44 milhões). Os recursos foram usurpados do Detran gaúcho, da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e de fundações de apoio como a Fatec (Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência vinculada a UFSM) e Fundae (Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura) – além de muitas outras empresas ligadas ao governo. Dia seis, os deputados de oposição na Assembléia Legislativa protocolam o requerimento com pedido de instauração de CPI para investigar as denúncias contra a “governadora” tucana Yeda Crusius. O documento obtém o apoio de 39 dos 55 parlamentares da Casa. Dia 14, o requerimento é deferido. O caso se agrava com a denúncia de que o presidente do TCE gaúcho, João Luiz Vargas, integra a quadrilha chefiada por Yeda, sendo simultaneamente beneficiário e um dos principais articuladores do esquema. JL Vargas acaba renunciando ao cargo. Finalmente a CPI do mensalão gaúcho é instalada. O requerimento com o pedido de instauração da CPI é deferido pelo deputado Ivar Pavan (PT): “A CPI será fundamental para ajudar a dar conhecimento a toda a sociedade gaúcha sobre a extensão dos problemas. Tenho a convicção de que será conduzida com a maior seriedade pelos deputados que a compõem. A sociedade gaúcha tem o direito de saber a verdade“, afirmaria Ivar. Entretanto, como todos sabemos, a cúpula do PSDB em peso passou a exercer pressões ingentes, visando a reversão do processo (de modo bastante particular o “governador” de São Paulo, José Serra, que chegou a participar de eventos públicos apoiando abertamente Yeda Cruzius). Óbvio, as pressões acabariam surtindo efeito. Após votação apertada (22 votos favoráveis e 19 contrários) a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovaria o relatório final da CPI da Corrupção, que isentaria Yeda Cruzius e seus comparsas das irregularidades referentes ao esquema que desviou mais de R$ 44 milhões do Detran-RS. O documento espúrio foi meticulosamente elaborado – pasmem! – pelo deputado cassado Coffy Rodrigues (PSDB) o assessor “especial” da governadora tucana: dezenove parágrafos do relatório foram dedicados, exclusivamente, aos ataques descabidos contra o governo de Olívio Dutra (1999-2002), que sequer fora objeto de investigação; quatorze outros parágrafos foram empregados para fazer propaganda governista. Portanto, o mensalão tucano gaúcho acabou em pizza.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: