Publicado por: jromarq | 04/03/2010

Mensalões do tucanato: Arrudão I

Na trajetória política de Arruda destacam-se os escândalos e as trocas de partido 

Dando prosseguimento à série Mensalões do tucanato, reflitamos sobre o nefando caso do governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Causa-me estranheza e apreensão quando observo, através da mídia, figuras tenebrosas tais como os senadores José Agripino e Demóstenes Torres, ambos do DEM(O), insinuando nas entrelinhas de suas ambíguas declarações que o simples afastamento de Arruda do cargo (por renúncia, cassação ou impeachment, pouco importa) encerrará a questão das meias, cuecas, panetones e orações da propina. Como se o partido ao qual o governador pertencia, o Democratas, não tivesse nenhuma relação com o caso; como se JR  Arruda, num passado nem tão distante assim, não tivesse pertencido à bancada de senadores do PSDB; como se o ex–senador tucano e quase ex–governador demonista não tivesse sido líder de FHC; como se o Arruda, até bem pouco tempo, não fosse o virtual candidato a vice na cambaleante chapa de José Serra a presidência em 2010; como se o Metrô do Serra não tivesse estreitas relações econômicas, financeiras e comerciais como o Metrô do Arruda. Todos esses “comos” vêm me incomodando profundamente. Portanto, recordemos alguns fatos relevantes da trajetória política do governador desterrado. José Roberto Arruda, 55, é engenheiro eletricista nascido em Itajubá (MG); assumiu o governo do Distrito Federal em 2007, após ser eleito em primeiro turno no final de 2006 com pouco mais de 50% dos votos válidos. Arruda era o único governador filiado ao DEM, e anunciara que disputaria a reeleição ao lado de seu vice-governador Paulo Octavio (DEM). Antes de assumir o governo do DF, Arruda participou do episódio da violação do painel eletrônico do Senado Federal durante votação do processo de cassação de mandato do ex-senador Luiz Estevão. O episódio, ocorrido em 2001, também envolveu o falecido senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA). Na época, Arruda era senador filiado ao PSDB do Distrito Federal e líder do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso. JR Arruda foi acusado de pedir a técnicos do Prodasen (serviço de informática do Senado) a lista com os votos dos senadores no processo contra Estevão. Ele teria agido sob o comando e orientação de ACM (Antonio Carlos Magalhães), que presidia o Senado por essa época (2001). Inicialmente Arruda negou a acusação e fez um discurso emocionado no plenário da Casa, mas depois voltou atrás e admitiu ter participado da violação do painel, pedindo desculpas ao povo também de forma bastante “emocionada” (revelando à opinião pública, já naquele período, sua impressionante veia cênica). Arruda acabou afastado do PSDB e ingressou no DEM (antigo PFL). Após o escândalo, o senador foi eleito o deputado federal mais votado por Brasília em 2002. Arruda começou sua carreira no serviço público em 1979, como diretor da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital), na gestão de Aimé Lamaison (nomeado pelo presidente João Baptista Figueiredo) em plena ditadura militar. Em 1991, ele assumiu a chefia do Gabinete Civil do governador Joaquim Roriz e, no mesmo ano, tornou-se Secretário de Obras. Nessa época, foi iniciada a construção do metrô de Brasília – que permanece em obras até hoje. Cabe salientar, por exemplo, que o grupo industrial francês Alstom Transport, investigado por pagamento de propina em vários países, assinou no dia 23 de julho de 2009 um contrato suspeito de 110 milhões de euros (cerca de R$ 296 milhões) com o Metrô de Brasília. A Alstom Brasil tem sido intensamente investigada pelo Ministério Público brasileiro por suas relações promíscuas e ilícitas com estatais paulistas (Metrô, Eletropaulo, CPTM) do governo tucano de José Serra. Arruda ficou no Gabinete Civil de Roriz até 1994, quando disputou a eleição para o Senado pelo PP (partido resultante da fusão do PTR com o PST, em 1993). É oportuno lembrar o fato curioso de que o governador havia estabelecido um pacto para ser vice de Paulo Octavio nas eleições deste ano, e, nesse caso, o atual vice-governador seria o cabeça de chapa. Ambos, porém, acabariam divulgando a suposta mudança de planos: Arruda seria, novamente, o candidato do DEM ao governo de Brasília. Entretanto, nos bastidores sombrios da política rasteira, a informação que vinha circulando era a de que JR Arruda teria sido convidado por José Serra para ser o vice em sua chapa de candidato à presidência da República.

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