Publicado por: jromarq | 18/03/2010

Mensalões do tucanato: Arrudão III

A verdadeira face reacionária do tucanato na  repressão infligida aos que se manifestaram contra a corrupção

As denúncias apresentadas pela Polícia Federal contra José Roberto Arruda (PSDB/DEM) na operação Caixa de Pandora eram graves, incontestáveis; as imagens de vídeo que passariam a circular na rede mundial eram demasiado inquietantes e perturbadoras; a opinião pública cobrava, pressionava; a OAB exigia apuração efetiva do caso. A PF decide emitir um comunicado público, cujo teor não deixaria a menor sombra de dúvida quanto a natureza fraudulenta e criminosa do esquema chefiado por Arruda em Brasília: “A Polícia Federal desencadeou a Operação Caixa de Pandora, para reprimir fraudes em licitações no governo do Distrito Federal. Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Brasília, Goiânia e Belo Horizonte, expedidos pelo Ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, Presidente do Inquérito Judicial, baseados em representação da PF, corroborada pelo Ministério Público Federal. Cerca de 150 policiais federais cumpriram os mandados em gabinetes de órgãos públicos, residências e empresas, na presença de Procuradores da República, conforme determinação do STJ. A participação da PF nas investigações originou-se em função de solicitação do Ministério Público Federal, acatada pelo Poder Judiciário. Foram verificados, nas investigações, indícios de pagamento de recursos a altos servidores do GDF, por empresas que mantinham contrato com o Governo Distrital. Foram apreendidos computadores, mídias, documentos, além de 700 mil reais, 30 mil dólares e 5 mil euros. O material apreendido será analisado e posteriormente encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça”.

Porém, o que mais revoltou a população foram as imagens do vídeo. Nas inditosas imagens gravadas pelo então presidente da Codeplan (DF), Durval Barbosa (ex-secretário de Relações Institucionais de Arruda e autor das denúncias), o governador surge recebendo maços de dólares em espécie. Entretanto, quando o escárnio e a desfaçatez pareciam ter atingido o ápice, Roberto Giffoni, secretário de Ordem Pública do DF na época (pura ironia a denominação do cargo ocupado pelo referido senhor), vem em público alegando que o dinheiro destinava-se tão somente à compra de panetones e brinquedos para “obras sociais”. Na verdade, o vídeo de 30 minutos e 31 segundos exibe Arruda recebendo dinheiro diretamente das mãos de Barbosa. Um clima de comoção toma conta da opinião publica. Cerca de 1,5 mil estudantes e sindicalistas organizam protestos intensos em frente ao Palácio do Buriiti (sede do governo do DF). Então, a face reacionária e antidemocrática dos tucano-demonistas revela-se, mais uma vez, de maneira brutal com o legítimo movimento popular de livre expressão reprimido pelas forças policiais. Há o relato do professor José Ricardo Fonseca (participante da manifestação), através do qual ele afirma ter sofrido agressões covardes impingidas por policiais e pelo coronel Silva Filho, comandante da operação, que o teria confinado num camburão por mais de três horas. O caso obrigou a OAB de Brasília a solicitar ao Ministério Público que entrasse com uma ação criminal por abuso de poder contra os policiais que agiram com excesso de truculência e brutalidade. Arruda não resiste às pressões e desliga–se do Democratas, mas permanece no governo. O clamor das ruas aumenta; finalmente a CPI da corrupção é instalada, porém com o controle absoluto da base aliada do governo (diga–se de passagem, deputados distritais encalacrados até o pescoço com a organização criminosa de JR Arruda). O resultado não poderia ter sido outro: manobras, depoimentos estrategicamente adiados ou cancelados, reuniões na calada da noite e com as portas devidamente cerradas. Dessa forma, outros setores da sociedade passam a manifestar insatisfação. O procurador Regional Eleitoral de Brasília, Renato Brill Góes, ingressa no TRE-DF com duas ações de perda de mandato por considerar que os argumentos apresentados por Arruda para deixar o DEM não tinham respaldo legal; o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, pede prisão preventiva ou afastamento de Arruda do governo, alegando que o governador realizou manobras para obstar o andamento dos pedidos de impeachment na Câmara Legislativa. O presidente da OAB afirmaria ainda ser inequívoca a tentativa de Arruda de subornar o jornalista Edson Sombra, testemunha na investigação do mensalão do DEM: “Tais evidências são claras no que tange às tentativas de obstrução das investigações e cooptação de testemunhas por parte do governador, de modo que é fundamental que essa Procuradoria-Geral da República avalie a possibilidade de requestar o afastamento cautelar do governador para regular instrução processual, na forma do art. 20 da Lei 8429/92, ou mesmo sua prisão preventiva”.

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