Publicado por: jromarq | 17/04/2010

Mensalão do tucanato: conexão Arruda/J Serra

Firma suspeita leva R$ 63 mi: empresa de primo de senador tucano acusada de fraudes no DF tem contratos com a Saúde  

Os leitores deste blog devem estar lembrados da série de artigos intitulada Mensalões do Tucanato publicada em março. Através daqueles textos, tentei estabelecer uma conexão entre as falcatruas do PSDB e do Democratas espalhadas pelos quatro cantos da Nação, formando um imenso e fétido esgoto; o putrefato esgoto tucano-demonista. Tentei demonstrar, também, que J Arruda não é uma ilha de podridão num mar de bondade e candura, como tenta convencer a opinião pública a mídia golpista (por intermédio de seu partido “oficial”, o PIG). Pois bem. Aparentemente começa surgir a ponta do iceberg. O mar de lamas que une as duas siglas nefandas começa a exalar seus insuportáveis miasmas, estabelecendo irrefutáveis e sombrias conexões entre inúmeros esquemas: corrupção, superfaturamento, obras sem licitação, favorecimento ilícito, nepotismo, desvio de recursos, doações ilegais de campanha. Acompanhem, é claro, se tiverem estômago. 

Mais conectado que isso, impossível! 

 

Acusada pela Corregedoria Geral da União (CGU) de superfaturamento de preços de medicamentos e de fraude em licitações na gestão José Roberto Arruda (DEM) no Distrito Federal, a Hospfar Indústria e Comércio de Produtos Hospitalares recebeu mais de R$ 63 milhões em contratos com a Secretaria Estadual de Saúde desde 2008, na gestão José Serra/Alberto Goldman, ambos do PSDB, em São Paulo. Um dos sócios da Hospfar é Marcelo Reis Perillo, primo do 1º. vice-presidente do Senado, Marconi Perillo (PSDB-GO). Outro sócio da empresa, Moisés de Oliveira Neto, também integra quadro societário da Linknet, apontada pela Polícia Federal como uma das principais suspeitas de alimentar o mensalão tucano-demonista, em Brasília, que levou à prisão e à cassação de J Arruda. Somente nos três primeiros meses de 2010, o governo paulista empenhou R$ 5,5 milhões para pagamento da Hospfar. Ao menos 20 dos 51 contratos foram feitos para cumprimento de decisão judicial – quando a Justiça determina que o poder público tem de fornecer determinado medicamento ao cidadão. Três deles foram realizados com dispensa de licitação. 

Nas irregularidades no DF, segundo o ministro da Corregedoria, Jorge Hage, auditoria da CGU demonstra que o governo de Brasília mantinha os estoques do Núcleo de Medicamento de Alto Custo praticamente vazios, para, posteriormente, comprar, em regime de urgência, com preços que estavam acima da tabela federal. A favorecida era quase sempre a Hospfar, que chegou a receber mais de R$ 190 milhões dos cofres do DF desde 2006. “Há suspeita de que haja prejuízos financeiros relevantes. Em uma comparação dos preços praticados pelo GDF (governo do Distrito Federal) na compra de medicamentos, nós verificamos que os valores unitários superam o teto de todas as tabelas oficiais do governo federal”, afirmou o ministro da Corregedoria. 

Juntamente com outras duas empresas do setor – Medcomerce e Milênio – a Hospfar teria montado um cartel para fraudar licitações. Juntas, as três empresas, que têm parentes como sócios, teriam recebido R$ 294 milhões dos R$ 500 milhões repassados ao Distrito Federal pela União para compra de medicamentos desde 2006. “Apurou-se a existência de vínculos societários entre os proprietários da Hospfar e Medcomerce com a Milênio, bem como dessas três com a empresa Linknet, citada no inquérito policial relacionado à Caixa de Pandora”, afirma o relatório da CGU. 

Por outro lado, uma das empresas de Paulo Octávio (DEM, vice de J Arruda) – que renunciou em virtude de sua participação no mensalão de Brasília –, integra consórcios que têm contratos de R$ 137,2 milhões com a Saúde do governo paulista desde 2005. Investigada por fraudes no Distrito Federal, a Hospfar responde a processos em Goiânia e no Mato Grosso por suposto superfaturamento de preços e participação em licitações fraudulentas. Em Goiânia, cidade na qual se localiza a matriz da empresa, a Justiça chegou a determinar a indisponibilidade de bens dos sócios e proibiu a distribuidora de fechar qualquer contrato com o governo do município. Detalhe: novamente Marcelo Reis Perillo, primo do senador tucano Marconi Perillo (GO), é citado como sócio da empresa. Outro sócio, Moisés de Oliveira Neto é, também, sócio da Linknet, empresa apontada pela Polícia Federal como participante do mensalão tucano-demonista. 

Além da Linknet, que tem entre seus donos um dos sócios da Hospfar, pelo menos outras duas empresas suspeitas de abastecerem o “mensalão do DEM” no Distrito Federal atuaram em São Paulo: Uni Repro e Serveng Civilsan. A Uni Repro foi investigada em 2007 dentro da Operação Parasitas da Polícia Civil. A empresa faria parte de um grupo que teria causado um rombo de R$ 100 milhões na área da saúde por meio de fraudes em licitações, superfaturamento de preços e entrega de produtos de má qualidade. Um organograma feito pela Secretaria Estadual da Fazenda e anexado ao inquérito aponta a Uni Repro como prestadora de serviços para o Estado entre 1999 e 2007, início da gestão de José Serra/Alberto Goldman (PSDB), recebendo R$ 26 milhões, dos quais R$ 1 milhão em contratos assinados sem licitação. A construtora Serveng participou de, pelo menos, dois consórcios com contratos em São Paulo. Um para a realização de supostas obras no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, e outro para a construção do trecho sul do Rodoanel, parcial e irregularmente inaugurado em 30 de março deste ano. Na obra do aeroporto, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a suspensão do pagamento de R$ 70,9 milhões ao consórcio Queiroz Galvão/Constran/Serveng, após suspeitas de irregularidades. No Rodoanel, auditoria do TCU entre janeiro de 2007 e julho de 2008 encontrou indícios de superfaturamento. Segundo o órgão, a obra, com valor estimado em R$ 3,6 bilhões, obteve “permissão de preços unitários até 30% acima dos preços de referência”. E vejam que interessante: a Serveng foi um dos principais doadores da campanha do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em 2008 – R$ 1,2 milhão. O repasse foi considerado ilegal pela Justiça Eleitoral, que cassou o mandato de Kassab (é imperativo que a opinião pública tenha ciência do fato de que a cassação do prefeito paulistano está sub judice). Ou seja, a qualquer momento podemos ser agraciados com o afastamento definitivo do testa-de-ferro do J Serra da prefeitura. Quem sabe! Afinal, nada é impossível.

Pesquisa: JT

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