Publicado por: jromarq | 21/04/2010

Pantomima frustrada

Fiquem espertos. De cordata, generosa e democrática a “toda poderosa” não tem absolutamente coisa alguma 

Segundo notícias que circularam intensamente na rede, a TV Globo recuou, suspendendo o jingle abominável com mensagens subliminares em favor de J Serra. Em princípio, uma grande vitória da cibermilitância. Milhares de internautas reagiram de forma contundente. De fato, a emissora não teve outra alternativa senão recuar. Convém, contudo, manter a imprescindível postura diligente. Afinal, sabe-se lá qual será o próximo lance no tabuleiro da política da mídia golpista. Na verdade, um bom indício já foi apresentado com a divulgação de mais um capítulo dos engodos estatísticos do PIG: a mais recente “pesquisa” do Ibope que mantém J Serra na dianteira com números semelhantes aos do DataForja. Então, para ilustrar o pensamento vigente daqueles que insistem em engendrar o golpismo retórico, reproduzirei uma pequena “fábula” que andou permeando a web nos últimos dias. Apreciem, reflitam…  

  • Tudo começou com um telefonema de um ator consagrado para o diretor do núcleo. O homem estava irado com a peça promocional levada ao ar na noite de domingo. Era um institucional de trinta segundos em que ele dizia apenas duas palavras. Contudo, a montagem induzia o telespectador a acreditar que se tratava, não de uma campanha de aniversário da maior emissora de televisão do país, mas um mosaico grosseiro cujo slogana gente faz senpre mais” era uma clara alusão ao do candidato tucano J Serra. E para corroborar com a leviandade, ainda vinha o número quarenta e cinco assinado na peça, ao lado do logotipo. Ao todo, foram quarenta celebridades entre as turmas das produções, humor, shows, esporte e jornalismo. Achei até curioso a manifestação ter partido de um ator e não de um de nós. Afinal, vendemos a eles apenas nossa força de trabalho, não nossas consciências. Será? Nem sei mais… O ator foi duro e franco com o executivo da empresa. Se alguma providência não fosse tomada, ele iria aos jornais dizer que foi vítima de manipulação. Era tudo o que a emissora não queria ouvir nessa altura do campeonato. Ainda que seu candidato pudesse ser o mesmo que o da emissora, ele jamais se sujeitaria a trabalhar naquelas condições. E antes de desligar, avisou: “Eu não estou sozinho!”. O diretor pediu paciência, disse que ia encontrar uma saída. Pensou em quem confiar num momento desses de conflito; talvez um executivo que tivesse bom trânsito com o jornalismo. Afinal, foi coisa dos herdeiros da Corte do Cosme Velho, incentivados pelo Guardião da Doutrina da Fé, pensou. Assim que amanheceu, propôs o encontro ao executivo que considerou ser hábil o bastante para apagar o fogo. Nisso a internet já fervilhava. Pressões vinham de todos os lados: opinião pública, patrocinadores, políticos e até os amigos. Era preciso convencer a direção de que a tática fora um tiro no pé. Porém, como fazer isso? Juntando argumentos. E lá foram os dois tentar convencer os acionistas de que aquilo havia sido um erro. Os artistas respeitam os interesses comerciais e políticos da emissora, mas consideram que não cabe a eles exercer esse papel institucionalmente. O artista é o vendedor de sonhos e ilusões para todos, não só para um determinado grupo político. Afora os artistas, tem os jornalistas que emprestam sua credibilidade à emissora. Ações assim podem arranhar para sempre esse vínculo com o telespectador. E assim foram as tratativas durante toda a tarde. Mas qual seria a solução? Pensaram em várias. Ao final do encontro triunfou a seguinte: “O texto do filme em comemoração aos 45 anos da Rede Globo foi criado – comprovadamente – em novembro do ano passado, quando não existiam nem candidaturas muito menos slogans. Qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme”. A noite que sucedeu essa medida não deve ter sido boa, nem para o Guardião, nem para a Central de Comunicação, e muito menos para o patrão. Nós aqui fora sabemos de tudo! O Povo não é bobo. Fiquem espertos. 

De cordata, generosa e democrática a “toda poderosa” não tem absolutamente coisa alguma. Isso sem mencionar o aspecto mais deprimente da desculpa esfarrapada da emissora. Como se as duas principais candidaturas não estivessem definidas, no mínimo, há dois anos; como se articulações espúrias do gênero não pudessem ser elaboradas com “séculos” de antecedência; enfim, como se não houvesse contatos “informais” entre J Serra e o núcleo de comunicação da emissora como o propósito de estabelecer diretrizes e estratégias de campanha. Para os mais incautos que ainda mantinham alguma dúvida, as cartas foram reveladas sem nenhuma cerimônia: o PIG (Partido da Imprensa Golpista), mais do que uma tese plausível, defensável, é uma realidade cabal. E isso é apenas o início do pleito, o começo da luta. 

  • Fonte: combatividade da rede

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