Publicado por: jromarq | 25/04/2010

Alstom e Serra: amor antigo, amor bandido

Brasil pede quebra de sigilos do caso Alstom no exterior, incluindo a gestão de J Serra no escopo da investigação  

Inicialmente os contratos investigados referiam-se aos períodos de 1998 a 2003, com respectivas assinaturas durante o governo de Geraldo Alckmin do PSDB. Porém, com o surgimento de novos documentos suíços, os investigadores brasileiros decidiram estender o período até o ano passado, já na gestão do governador tucano J Serra. O Ministério da Justiça vai encaminhar à Suíça e à França pedidos de quebra do sigilo bancário de 19 pessoas e empresas suspeitas de terem recebido propina da Alstom para que a multinacional francesa vencesse concorrências do governo de São Paulo. Entre os nomes que constam do pedido estão os de Robson Marinho, conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado), e o do engenheiro Jorge Fagali Neto, irmão do presidente do Metrô. Marinho foi chefe da Casa Civil em governos tucanos entre 1995 e 1997; em 2001, foi indicado pelo PSDB para ocupar o posto estratégico de conselheiro do TCE. Vejam que interessante. O governo suiço bloqueou contas de Marinho e Fagali Neto no exterior, fato sobejamente divulgado pela imprensa brasileira em 2009. O empresário Sabino Indelicato, que foi secretário de Obras na administração de Robson Marinho como prefeito de São José dos Campos, também aparece na lista de pedido de quebra de sigilo. Os investigadores suíços suspeitam que uma empresa de Indelicato, a Acqua Lux, recebeu recursos da Alstom – pasmem! – sem prestar os serviços citados no contrato. Também está na lista o executivo francês Jean-Pierre Courtadon, que ajudou a Alstom a ativar um contrato de R$ 98 milhões com a Eletropaulo em 1998. A lista de negócios sob suspeita é enorme. A Alstom, maior multinacional francesa, produz trens e metrôs e é líder mundial entre os fabricantes de equipamentos para usinas elétricas. É investigada por ter pago propina para ganhar contratos com o Metrô e a Eletropaulo, privatizada em 1999.  Uma investigação sobre lavagem de dinheiro num banco suíço apontou que a Alstom teria pago comissões ilícitas para ganhar negócios públicos em países como Brasil, Argentina e Indonésia. Segundo o Ministério Público da Suíça, a Alstom francesa enviava recursos para a sua filial suíça, que simulava contratos de consultoria para pagar comissões ilegais a políticos e funcionários públicos. No último mês, a Alstom inglesa foi incluída na apuração. Um dos investigados no Brasil, Romeu Pinto Jr., confirmou ao Ministério Público que recebeu cerca de US$ 1 milhão da Alstom de outubro de 1998 a fevereiro de 2002 sem ter prestado o serviço de consultoria. O dinheiro da Alstom foi depositado numa empresa offshore de Pinto Jr., a MCA Uruguay. Segundo ele, a empresa foi criada por sugestão de um ex-diretor financeiro da Alstom francesa, Phillipe Jaffré. O pedido de quebra de sigilo nos dois países foi feito pelo promotor Silvio Marques, que investiga o caso na esfera estadual, e o procurador Rodrigo de Grandis, que apura as suspeitas no plano federal.

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