Publicado por: jromarq | 17/05/2010

Diplomacia magistral

De um modo ou de outro, a performance da diplomacia brasileira foi magistral: força os norte-americanos a moderarem o discurso belicista e obriga os iranianos a, desta vez, cumprirem um acordo

Mais um falso paradigma geopolítico aniquilado por Lula. O acordo firmado entre Irã e Turquia, com a mediação do Estadista Global, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê que o Irã envie à Turquia 1,2 mil quilos de urânio de baixo enriquecimento, recebendo, em troca, urânio enriquecido a 20% (nível suficiente para ser usado em pesquisas médicas, portanto, para fins pacíficos). Pelo acordo, o urânio enriquecido será remetido no prazo de um ano. Nesse período, haverá supervisão de inspetores turcos e iranianos. Na verdade, trata-se de uma extraordinária vitória da diplomacia brasileira conduzida com brilhantismo por Celso Amorim, Chanceler do Brasil. Podemos apreciar que a estratégia assenta-se em dois pilares dialéticos bastante distintos. De um lado, ficou evidenciado de maneira insofismável que a disposição efetiva ao diálogo multilateral invariavelmente trará frutos positivos. O que, até bem pouco tempo, era considerado improvável acabou se concretizando: o Irã aceitou, com assinatura oficial de documentos técnicos e diplomáticos reconhecidos internacionalmente (é oportuno destacar), o envio ao exterior de urânio com baixo enriquecimento, e a supervisão de seu famigerado programa nuclear, declaradamente, orientado a fins pacíficos. Por outro, a partir de agora, será possível avaliar com alguma precisão as reais intenções do governo dos EUA em relação ao Oriente Médio, em particular sobre as posições diplomáticas de Teerã. Com o acordo firmado, o governo iraniano demonstrou, formalmente, disposição ao diálogo e crença no emprego das ferramentas diplomáticas para a solução de eventuais contendas entre os países. Portanto, compete agora a Washington o próximo lance no intricado tabuleiro do xadrez geopolítico internacional, ou seja, retroceder taticamente, reconhecendo como efetivos os propósitos do governo de Mahmoud Ahmadinejad. Caso contrário, os Estados Unidos correrão o risco de consolidarem a imagem totalitária e antidemocrática tão “eficazmente” construída pela família Bush. Por outro lado, se Teerã não cumprir o acordo abrirá uma imensa brecha ética e moral para que o ocidente recrudesça suas posições políticas na região. De um modo ou de outro, a performance da diplomacia brasileira foi magistral: força os norte-americanos a moderarem o discurso belicista e ao mesmo tempo obriga os iranianos a, desta vez, cumprirem um acordo.

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