Publicado por: jromarq | 22/05/2010

Tentáculos do judicialismo golpista

Todos devemos defender, não apenas o projeto Ficha Limpa, mas a trajetória política limpa, a conduta parlamentar limpa, a mente limpa, decisões judiciais limpas, uma imprensa limpa, a consciência ética limpa

Evidentemente todos devemos ser favoráveis a iniciativas que visem expurgar práticas e procedimentos relativos à atividade político-partidária; trata-se de uma necessidade premente, demanda legítima oriunda do anseio popular no sentido de contribuir para o aprimoramento de quadros e instituições políticas. Sem dúvida, o cenário ideal para esse processo de renovação seria o congresso com ações efetivas originárias da atividade parlamentar, ou seja, a famigerada Reforma Política. É sempre bastante oportuno lembrar, que projetos com essa finalidade têm sido envidados ao Parlamento pelo atual Governo, porém sem o devido encaminhamento congressual em decorrência de históricas e tradicionais razões: é pouco provável que instituições políticas se encarreguem de conduzir e implementar projetos que objetivem a autodepuração. Sendo dessa maneira, a lei aprovada pela câmara dos deputados federais e, no dia 19/05, também pelo senado, elaborada a partir do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral) do qual originou-se o notório Ficha Limpa, em tese, viria a cumprir o relevante papel de mecanismo social depurador. Coloco a questão em termos condicionais movido pela apreensão e, até, por um certo nível de temor quanto a possíveis intenções subliminares engendradas por certas figuras que foram incumbidas de liderar o processo de aprovação da lei no senado como, por exemplo, o senador Demóstenes Torres do DEM (antigo PFL, antiga ARENA: antiga ditadura militar), ilustre cupincha das famílias Marinho e Magalhães (verdadeiros proprietários do Democratas), inacreditavelmente, o relator do projeto. Temo, portanto, que tenha ocorrido manipulações da lei e instrumentalização do legítimo movimento popular que deu origem ao projeto (movimento que contou, inclusive, com a participação da CUT, OAB, FENAJ e Contag, entre outras entidades progressistas). Por outro lado, ao ler, no site do MCCE, um segmento referente ao texto explicativo do projeto Ficha Limpa minha inquietação aumentou um pouco mais: “(…) representações por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa”. Afinal de contas, quais são os critérios efetivos empregados pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) para definir eventuais práticas do uso eleitoral da máquina administrativa? O candidato do PSDB, José Serra, usa e abusa da máquina administrativa de São Paulo, promovendo sua candidatura à presidência. Até onde saibamos, jamais o tucano foi, sequer, ligeiramente “incomodado” pelos digníssimos promotores do MPE. Já o presidente Lula e Dilma Rousseff, tiveram que arcar com o pagamento de multas em virtude de sentenças bastante questionáveis da “Justiça” Eleitoral. Nem mesmo o recurso movido pelo PT contra a campanha espúria mantida na internet pelos tucano-demonistas sob o apócrifo título “gente que mente” foi acolhido pela instituição. Entretanto, a divulgação institucional do lançamento do primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro, após décadas de inatividade do setor, já constituiu motivo mais do que suficiente para que o MPE tomasse a iniciativa de representar contra Dilma e o presidente Lula. Como se o governo não tivesse o direito de divulgar suas realizações; como se não tivesse, de fato, o dever constitucional de fazê-lo. Notem o detalhe repugnante: o MPE tomou a iniciativa da representação, ou seja, não houve nem mesmo a necessidade de que algum agente opositor interviesse nesse caso; o próprio Ministério Público Eleitoral, inequivocamente exorbitando de suas funções, resolveu assumir o hediondo papel. Portanto, dois pesos e duas medidas. Para Serra, permissividade irrestrita; para Lula e Dilma, aplicação brutal da lei da mordaça absoluta. Dessa forma, quem nos garante que, num futuro próximo – 2014, por exemplo –, caso Lula resolva, de maneira legítima, concorrer, mais uma vez, à presidência, algum promotor tucanóide qualquer venha à público alegando inelegibilidade, com base (vejam só!) na lei provinda do projeto Ficha Limpa? Pior ainda, caso a lei entre em vigor com tempo hábil para ser aplicada na eleição atual, o que impediria o mesmo hipotético promotor de representar contra a própria candidata do PT, Dilma Rousseff, fundamentado na mesma modalidade de argumentação? Todos devemos defender, não apenas o projeto Ficha Limpa, mas a trajetória política limpa, a conduta parlamentar limpa, a mente limpa, decisões judiciais limpas, uma imprensa limpa, a consciência ética limpa. É imperativo, desse modo, ficarmos muito atentos à contumácia golpista do judicialismo tucano-demonista.

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Responses

  1. Caros isso tudo já era esperado se Dilma crescesse nas pesquisas. Ontem a noite o governador petista Jaques Wagner participou do Canal Livre e disse que pesquisas internas colocam nossa candidata mais a frente do que ela já esta, e isso é preocupante, pois se temos essa informação o PSDB e aliados também tem. Todo este cenário vai acabar levando o PIG a dar um golpe, e dos grandes, Lula, Dilma, PT e aliados devem estar mais preparados para uma jogada suja dessas pessoas.
    Brasil mais pra frente é Dilma Presidente!!


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