Publicado por: jromarq | 26/05/2010

DataForja confessa, mas nem tanto

Não nos iludamos. O DataFolha continua, agora mais do antes, intensamente dedicado ao projeto de ruptura da democracia plural conquistada pelo governo Lula

A pesquisa divulgada pelo DataFolha, no dia 22/05, (Dilma, 37%, Serra, 37% e Marina, 12%) induz à reflexão. Da mesma forma que criticamos severamente as manipulações estatísticas, a postura tendenciosa e repugnante do DataForja em suas “amostragens” anteriores, não devemos, agora, apenas porque o instituto divulgou um levantamento mais próximo à realidade do cenário eleitoral, arrefecer a atitude analítica, atribuindo legitimidade aos métodos empregados pelo senhor Mauro Paulino (diretor do DataFolha); pelo contrário, é imperativo manter a postura crítica. Em primeiro lugar, muito provavelmente os números apresentados no levantamento foram, mais uma vez, subestimados; em outras palavras, a vantagem e o crescimento de Dilma são bem superiores aos revelados pelos “dados” da pesquisa. Por outro lado, não devemos deixar de considerar o fato de que estamos avaliando metodologias e processos de um empreendimento comercial: a organização dirigida por M Paulino é, sobretudo, uma empresa privada (ou unidade de negócios, como eles próprios preferem chamar) que, óbvio, visa o lucro. Qual o negócio, o produto da empresa DataFolha, portanto? Levantamentos estatísticos de caráter comercial: índices de aceitação, projeção, penetração e confiança de produtos, serviços e negócios. Qual o lastro fornecido à clientela pelo empreendimento comercial DataFolha para garantir a precisão, a veracidade de seus números? A credibilidade. Venhamos e convenhamos, credibilidade não é um valor que se possa associar, hoje, à imagem da empresa de Mauro Paulino. O clamor popular, sobretudo no universo dos debates cibernéticos, pelo que se denota, trouxe conseqüências avassaladoras aos negócios do instituto. Os executivos da empresa precisavam, de maneira premente, adotar medidas de impacto promocional para tentar reverter o quadro de suspeição que passou a povoar o imaginário da opinião pública quanto aos “critérios” de abordagem dos eleitores empregados em suas pesquisas. Concluíram: “Nada melhor do que a aproximação numérica”. De um lado, não podiam continuar sustentando a estratégia empresarialmente suicida de confronto direto em relação aos demais institutos, já que o público consumidor de pesquisas estava pendendo para o lado da concorrência; por outro, também não podiam capitular inteiramente, porquanto tal postura significaria confissão inequívoca de má-fé nas outras amostragens. Sendo assim, decidiram adotar a tática do meio-termo, apresentando um quadro em que Dilma ainda não surge à frente de J Serra, mas em “empate técnico” após excepcional recuperação. Além disso, os dados da pesquisa não indicam queda expressiva de Serra, o que, sem dúvida, é improcedente. Com isso, os executivos da empresa (“unidade de negócios”) imaginam, de um lado, conseguir resgatar um pouco da reputação do instituto significativamente arranhada com a divulgação de pesquisas tendenciosas, e, de outro, garantir um intervalo estratégico para engendrar e implementar novas tramas matemáticas nefandas. Não nos iludamos. O DataFolha continua, agora mais do antes, intensamente dedicado ao projeto de ruptura da democracia plural conquistada pelo governo Lula; continua tramando o retorno da prepotência, o retorno do descaso em relação às questões sociais, o retorno do entreguismo e da falta de soberania, o retorno das privatizações, o retorno da instabilidade macroeconômica, o retorno da política de desvalorização do salário mínimo, o retorno do desemprego e milhões de brasileiros em situação de miserabilidade absoluta, o retorno da incompetência, enfim, o retorno do estilo de “gestão” FHC preconizado por seu assecla J Serra.

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