Publicado por: jromarq | 12/09/2010

Verônica Serra expôs sigilo de 60 milhões de brasileiros (Parte II)

Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC.

Entre esses parlamentares despontava o deputado Severino Cavalcanti, então do PPB (atual PP) de Pernambuco, que acabaria por se tornar presidente da Câmara dos Deputados, em 2005, com o apoio da oposição comandada pelo PSDB e pelo ex-PFL (atual DEM). Os congressistas expostos pela reportagem pertenciam a partidos diversos: um do PL, um do PPB, dois do PT, três do PFL, cinco do PSDB e seis do PMDB. Desses, apenas três permanecem com mandato na Câmara, Paulo Rocha (PT-PA), Gervásio Silva (DEM-SC) e Aníbal Gomes (PMDB-CE). Por conta da campanha eleitoral, CartaCapital conseguiu contato com apenas um deles, Paulo Rocha. Via assessoria de imprensa, ele informou apenas não se lembrar de ter entrado ou não com alguma ação judicial contra a Decidir.com por causa da quebra de sigilo bancário.

Na época do ocorrido, a reportagem da Folha ignorou a presença societária na Decidir.com tanto de Verônica Serra, filha do candidato tucano, como de Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. Verônica D. e o irmão Dantas foram indiciados, em 2008, pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, por crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, formação de quadrilha, gestão fraudulenta de instituição financeira e empréstimo vedado. Verônica também é investigada por participação no suborno a um delegado federal que resultou na condenação do irmão a dez anos de cadeia. E também por irregularidades cometidas pelo Opportunity Fund: nos anos 90, à revelia das leis brasileiras, o fundo operava dinheiro de nacionais no exterior por meio de uma facilidade criada pelo BC chamada Anexo IV e dirigida apenas a estrangeiros.

A forma como a empresa das duas Verônicas conseguiu acesso aos dados de milhões de correntistas brasileiros, feita a partir de um convênio com o Banco do Brasil, sob a presidência do tucano Paolo Zaghen, é fruto de uma negociação nebulosa. A Decidir.com não existe mais no Brasil desde março de 2002, quando foi tornada inativa em Miami, e a dupla tem se recusado, sistematicamente, a sequer admitir que fossem sócias, apesar das evidências documentais a respeito. À época, uma funcionária do site, Cíntia Yamamoto, disse ao jornal que a Decidir.com dedicava-se a orientar o comércio sobre a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas, nos moldes da Serasa, empresa criada por bancos em 1968. Uma “falha” no sistema teria deixado os dados abertos ao público. Para acessá-los, bastava digitar o nome completo dos correntistas.

A informação dada por Yamamoto não era, porém, verdadeira. O site da Decidir.com, da forma como foi criado em Miami, tinha o seguinte aviso para potenciais clientes interessados em participar de negócios no Brasil: “encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. Era, por assim dizer, um balcão facilitador montado nos Estados Unidos que tinha como sócias a filha do então ministro da Saúde, titular de uma pasta recheada de pesadas licitações, e a irmã de um banqueiro que havia participado ativamente das privatizações do governo FHC. [“E tem mais! Aguarde, se tiver estômago…”].

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Responses

  1. A todos os lulistas semi-analfabetos 12.09.2010

    uem viver vai ter que pagar a CONTA. divida externa está em 230 bilhões de dólares.

    Publicado por Adriana Vandoni

    Já tivemos presidentes para todos os gostos, ditatorial, democrático, neo-liberal e até presidente bossa nova.

    Mas nunca tivemos um vendedor de ilusão como o atual.
    Também nunca tivemos uma propaganda à moda de Goebbels no Brasil como agora.
    O lema de Goebbels era uma mentira repetida várias vezes, se tornará uma verdade.
    O povo, no sentido coletivo, vive em um jardim de infância permanente.
    Vejamos alguns dados vendidos pelo ilusionista.
    O governo atual diz que pagou a divida externa, mas hoje, ela está em 230 bilhões de dólares.
    Você sabia ou não quer saber?
    A pergunta é: pagou?
    Quitou?
    Saldou?
    Não.
    Mas uma mentira repetida várias vezes torna-se verdade.
    Pagamos sim, ao FMI, 5 bilhões de dólares, o que portanto mostra apenas quão distante estamos do que é pregado para o povo.
    Nossa dívida interna saltou de 650 bilhões de reais em 2003, para 1 trilhão e 600 bilhões de reais hoje, e a nossa arrecadação em 2003 ano da posse do ilusionista que foi de 340 bilhões, em 2008 foi de 1 trilhão e 24 bilhões de reais.
    Este ano a arrecadação caiu 1% e, olhem bem, as despesas aumentaram 16,5%.
    Mas esses dados são empurrados para debaixo do tapete…

    • Prezado Evandro (caso não se trate de um perfil falso, típico de tucano-demonistas). 

      Não tenho o hábito de dar atenção a comentários pífios e insensatos. Porém, o conteúdo de sua mensagem despertou meu interesse por alguns aspectos, os quais exporei a seguir. O texto enviado está pessimamente escrito: repleto de incongruências semânticas e dialéticas, erros gramaticais, erros crassos de ortografia, erros de sintaxe, erros de estrutura lógica, erros de lingüística. Além de tudo, a concepção estilística é bastante medíocre. Em essência, lógico, o texto é improcedente; recheado de invenções, inverdades e sandices. 

      Tenha uma boa vida, meu caro. 

      Jorge Marques.


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