Publicado por: jromarq | 12/12/2011

A mídia golpista continua perpetrando sua incontrolável voracidade

“É curioso como boa parte da imprensa brasileira, com impressionante fúria corporativista, se assumiu não só como referência da oposição aos governos considerados de esquerda, mas também como porta-voz da corrente neocon – e fazendo da manipulação uma regra” :: Luis Nassif

As mentiras propaladas sobre o PNDH-3

Na época, um telejornal, sem pudor algum, elaborou uma dessas lições de antijornalismo que, infelizmente, hoje abundam nos noticiosos. A matéria do telejornal sobre o PNDH-3 trazia a seguinte mensagem: o decreto (sic) presidencial que Lula assinou sem ler (sic) visava implantar uma ditadura comunista no Brasil. Com efeito, só por chamar o PNDH-3 de “decreto” já trazia tamanha desinformação que não sabemos se é má fé impregnada pela subestimação à inteligência do telespectador ou se é “apenas” mau jornalismo mesmo – ou as duas coisas juntas… E para tentar dar credibilidade à matéria, o telejornal lançou mão daquele velho truque de chamar um especialista de plantão para dar aval técnico, ou seja, transformar o absurdo em algo factível. No caso, o telejornal chamou para opinar um famoso jurista – porém já conhecido em seu meio por seu extremo conservadorismo. Quando foi ao ar, em plena campanha eleitoral, o noticioso, espalhado na Internet, firmou-se como uma poderosa peça publicitária contra o governo federal. Aliás, é curioso como boa parte da imprensa brasileira, com impressionante fúria corporativista, se assumiu não só como referência da oposição aos governos considerados de esquerda, mas também como porta-voz da corrente neocon (neoconservadorismo) – e fazendo da manipulação uma regra. Mas ainda que o falseamento da verdade já esteja manjado para alguns espectadores mais atentos, infelizmente é assim que boa parte da opinião pública tem sido moldada. O pior é que os vícios (na política, na sociedade, etc.) só aparecem quando os denunciados são adversários dos barões midiáticos ou quando alguém ousa ameaçar o status quo da oligarquia.

Outro exemplo cabal da manipulação midiática neocon

Se você fizer uma pesquisa, aqui no Brasil, sobre a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, em relação à liberdade de expressão no seu país, muito provavelmente será quase unânime as respostas convergindo para o fato de que o país vizinho está na beira do precipício da ditadura. Isto porque a imprensa brasileira foi quase unânime em martelar esta idéia. Este é, pois, um dos sintomas mais fortes para o Brasil começar a encarar seriamente esta realidade: necessitamos urgente de uma “Ley de Medios” que venha a libertar os brasileiros da oligarquia que tem sido muito danosa para a opinião pública e por conseguinte para a democracia. E esta tem sido a tônica da imprensa brasileira, ou seja, a liberdade de expressão vai até onde começa os interesses dos que controlam a nossa opinião. Nunca é demais lembrar que os grandes veículos de comunicação que até hoje imperam no Brasil serviram como dínamo da ditadura. Assim, desconfie sempre quando uma oligarquia tenta levantar a bandeira da liberdade; da democracia. E aqui entra a frase de Goethe, “Ninguém é mais escravo do que aquele que ilusoriamente acredita ser livre”, formando o seu sentido num contexto em que a imprensa brasileira é considerada por organismos internacionais como uma das mais livres do mundo – e em que um cidadão acredita que é livre por causa disto. Pois que a liberdade de expressão defendida pelas grandes corporações midiáticas é alma gêmea do neoliberalismo que legou ao planeta toda essa, digamos, “paz”, senso “humanitário” e “prosperidade” que ora testemunhamos.

Bom, sobre o suposto cerceamento à liberdade de imprensa na Argentina, resolvi ler, na íntegra, a chamada Ley de Medios que deixou a imprensa tupiniquim tão nervosa. O mais surpreendente não é o fato de inexistir na mesma um único vestígio de arbitrariedade, ou, ameaça à liberdade de expressão. O mais surpreendente (e de certa forma assustador) é que a Ley de Medios traz exatamente uma idéia contrária, ou seja, trata-se, na sua essência, de um monumental benefício à liberdade de expressão e opinião no país. É assustador, pois, constatar a que ponto chegou a falta de escrúpulos da mídia brasileira – que não titubeia em deturpar e atacar as intenções de uma lei simpática aos Direitos Humanos e que vai contra os interesses das corporações mau acostumadas em fazer o que quiser em países onde são frágeis as leis que disciplinam o direito fundamental à comunicação. E é exatamente desta fragilidade que eles encontram guarida para se perpetuar em sua condição oligárquica, concentrando há anos o poder da informação; a milionária verba publicitária das empresas…

O que pensam os organismos internacionais

Surpreso com esta revelação, resolvi buscar alguma referência para ter certeza de que eu não estava ficando louco; ou que tinha desaprendido a interpretar textos. E qual a referência que você, leitor, buscaria? A própria imprensa, ainda mais a brasileira? Ou a assessoria da ONU que trata dos Direitos Humanos? Porque se você buscar como referência a mídia, perceberá um óbvio corporativismo dos que defendem, por exemplo, o Grupo Clarin – o maior conglomerado midiático da Argentina que, com a nova legislação, viu diminuir o seu poder absoluto. Mas não precisa ir longe para saber que a lógica da concentração da comunicação é tão danosa, que é prevista na própria Constituição brasileira, mais precisamente no seu art. 220 § 5º: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio“. SIM: a Constituição brasileira é burlada há décadas e, até hoje, ninguém ousou coibir tal abuso. 

Enfim, pesquisei na (AINDA LIVRE!) internet e descobri que o braço da ONU que trata dos Direitos Humanos, mais especificamente na promoção da liberdade de expressão e opinião, atende pelo nome de Frank William La Rue, que foi um dos indicados para o Prêmio Nobel da Paz, em 2004. A propósito, é da própria ONU que a imprensa adora buscar referências para avalizar sua linha editorial, assim como alguma indicação para o prêmio Nobel. Mas quando a opinião da ONU vai contra os interesses da mídia, então você precisa procurá-la com lupa na internet… Então, peguei minha lupa e corri para saber o que pensava De La Rue sobre a “ditadura da Ley de Medios Argentina” que a imprensa estava denunciando. Eis o que disse o relator da ONU ipsis litteris: “Argentina is setting a precedent with this new Audiovisual Communications law, and I believe it is an example not only for Latin America but for the whole world“.

Ou seja: para o relator da ONU que trata da liberdade de expressão e opinião, a “Ley de Medios” recentemente aprovada na Argentina é um modelo que deveria servir de exemplo não apenas para a América Latina, mas para o mundo todo. Mais: no engendrar da legislação sobre a comunicação, o próprio governo argentino convidou Frank de La Rue para participar – observar e opinar – de todo o processo. Ele aceitou o convite e ficou fascinado com o que testemunhou.

Assista o vídeo com a entrevista de Frank La Rue à CNN em que ele fala do processo transparente e democrático com que foi elaborada a Ley dos Medios, sendo que todos os segmentos da sociedade (inclusive, claro, jornalistas) de todas as províncias argentinas foram ouvidos; depois que o assunto foi amplamente debatido, foi submetido ao Congresso e finalmente aprovado. Entretanto, para a mídia brasileira, isto é uma afronta à liberdade de expressão. Reflita sobre isto.

 fonte: PORTAL LUIS NASSIF

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  1. Divulgação na internet


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