Publicado por: jromarq | 22/09/2012

A essência do verdadeiro e único mensalão de Dom FHC

Não me submeto à suprema e desmedida tutela desse judicialismo tupiniquim que tudo pode e a ninguém deve explicações. Não acredito nesse modelo “democrático” estadunidense que pretendem instaurar em nosso país. A voz do povo deve determinar os destinos de uma sociedade, e não as mentes tortuosas de uma casta de colegiados

Nesses dias em que, literalmente, vivemos sob a tutela de um esquizofrênico “Estado judicialista” que desconsidera o equilíbrio e a autonomia (determinados pela Constituição Federal) que devem existir entre os três poderes da República (Executivo, Legislativo, e Judiciário); nesse inquietante e perturbador momento em que velhos e reacionários caciques, apensados em publicações espúrias da imprensa golpista, tentam macular a honra, a conduta ilibada do maior Estadista de nossa história republicana, Lula, torna-se mister uma breve reflexão sobre nosso recente passado político.

 A data: os idos de 1997. O esquema de compra de votos de deputados federais com o propósito de aprovar a emenda da reeleição estava em pleno vapor e enredava total e perigosamente cúpula e governo tucanos no primeiro mandato de FHC. Nesse período, gravações obtidas por inúmeros órgãos de imprensa envolviam o, então, ministro das Comunicações Sérgio Motta e ainda revelavam que o deputado João Maia (PFL-AC, atual DEM), por exemplo, era um dos parlamentares que vendiam o voto. Nas gravações, Maia chegou a dizer que recebeu R$ 200 mil para votar em favor da nefanda emenda que acabaria possibilitando a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. O deputado revelou, também, que a barganha pelo voto previa receber R$ 200 mil do governo federal e outros R$ 200 mil do governo do Estado do Acre. O dinheiro usado na operação, segundo Maia, fora providenciado pelo governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL, atual DEM), e pelo ministro tucano Sérgio Motta (PSDB). Entretanto, não obstante os fatos cabais evidenciados pelo conteúdo das gravações, Motta, sistematicamente, recusava-se a prestar qualquer tipo de esclarecimento à opinião pública sobre o caso. Segundo o tucano, “Não tinha nada para ser debatido. Não havia denúncia concreta“, repetia com insistência.

Contudo, apesar de todos os fatos e suspeitas revelados, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado da época simplesmente recusou-se a deferir um requerimento do senador José Eduardo Dutra (PT) para que os debates relativos à emenda fossem suspensos, ao menos, até o final das apurações sobre o caso. E mais. Por meio de manobras regimentais soturnas, os governistas (PSDB e PFL, atual DEM) conseguiam derrubar todas as emendas propostas pelos demais membros do senado. De acordo com as gravações, a votação da emenda da reeleição fora precedida por uma imensa operação de aliciamento de deputados por parte das lideranças governistas no Congresso, e (ainda segundo João Maia), a ponta do esquema era o deputado Pauderney Avelino (PFL, atual DEM). “Esse dinheiro é do Amazonino. Promessa do Pauderney aqui. No nosso corredor aqui, falou em 200 paus. Via Serjão“, palavras de João Maia constantes nas gravações. O sombrio “Serjão” citado por Maia, era o ministro tucano e líder do governo de FHC Sérgio Motta. O mais estarrecedor em todo esse caso é que, a despeito do vigoroso esforço do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) que chegou, naquela época, a reunir mais de 123 assinaturas na câmara dos deputados, as tentativas de instalação da CPMI da Reeleição foram categórica e implacavelmente aniquiladas pela base governista de Dom FHC. Era, portanto, o sepultamente da CPMI do verdadeiro e único mensalão (engendrado, articulado e implementado durante o primeiro mandato do ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso); fora um brutal, um fatídico golpe na imperiosa necessidade de depuração de nossa jovem e inocente Democracia.

O artigo peçonhento

Agora, Dom FHC ressurge de seus próprios escombros destilando rancor em mais um “artigo” peçonhento. Na verdade, o ex-presidente Henrique Cardoso não passa de um farsante ignóbil e despeitado. Venhamos e convenhamos, um político que afirma – com todas as letras! – que “a opinião do povo não tem a menor importância“, um escritor que declara publicamente que “todos podem esquecer o que escrevi no passado” (cabe salientar que existe uma grande diferença entre rever posições mediante reflexão e autocrítica e assumir de forma torpe estelionato literário) não pode ser levado a sério. Cardoso passou todo o primeiro mandato engendrando, tramando a emenda da reeleição, através de um gigantesco esquema de compra de votos (O VERDADEIRO MENSALÃO), e, de modo abjeto, novamente fraudaria os interesses do povo brasileiro ao dispor do segundo mandato para leiloar criminosamente o Estado com a famosa PRIVATARIA TUCANA, lesando de maneira profunda e severa o erário. FHC, em seu mais recente e infame artigo, insiste, ainda, em empregar arcaicos e patéticos estratagemas maquiavélicos (no “melhor” estilo durkheimiano) numa tentativa tosca de provocar cisão na inabalável e incondicional relação política e de amizade existente entre Dilma e Lula. É evidente que Dom Cardoso pouco entende de política (e de amizade, coisa alguma!) ou jamais iria submeter-se a tamanho ridículo. No fundo – e também no raso – de tão descomunal manifestação pública de fanfarrice estão antigos e recentes sentimentos de inveja remoídos sob o implacável tempero da arrogância, da afetação. Aqui, limitar-me-ei a recordar um desses episódios: uma das inumeráveis honrarias recebidas pelo nosso eterno Presidente Lula, que “Em Genebra, na 40ª edição do Fórum Econômico de Davos, foi homenageado como o ESTADISTA GLOBAL“. Ora, esse pomposo sociólogo não tem envergadura moral, não está investido da menor legitimidade ética para, sequer, varrer o chão por onde, eventualmente, Lula tiver transitado. O ex-presidente Tucano possui “telhado de vidro”. FHC não tão somente enterrou a CPMI do mensalão em seu “governo” como, cinicamente, criou uma “corregedoria interna” com o suposto propósito de realizar auto-investigações: o supra-sumo do escárnio (que não chega a surpreender, partindo de um cidadão para o qual a opinião pública não tem a menor importância).  Ora, supremos magistrados que se alimentam diuturnamente nas fontes abundantes da mídia golpista… Não reconheço o chamado quarto poder arrogado pela imprensa elitista; não me submeto à suprema e desmedida tutela desse judicialismo tupiniquim que tudo pode e a ninguém deve explicações. Não acredito nesse modelo “democrático” estadunidense que pretendem instaurar em nosso país. A voz do povo deve determinar os destinos de uma sociedade, e não as mentes tortuosas de uma casta de colegiados.

Ressurgindo dos próprios escombros…

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