Resposta à Jovem Pan

 

Inconformado com a insistência antidemocrática da rádio Jovem Pan AM de São Paulo em manter a divulgação sistemática da propaganda, no mínimo, muito pouco ética contra o PNDH 3 – Programa Nacional de Direitos Humanos, decidi enviar à emissora um e-mail cujo conteúdo é o texto do artigo publicado neste blog no dia 16/01. Manifestei, também, minha indignação através de contato telefônico mantido com o Sr. Anderson Costa, “jornalista” (Fone: 11-3285.2275), o qual limitou-se a sugerir que fosse enviado à emissora um e-mail abordando as questões comentadas na conversa mantida pelo telefone. Foi o que fiz. Portanto, ficarei aguardando – provavelmente até o “final dos tempos” – um retorno. Quem sabe?! Afinal, nada é impossível.   

  

From: JORGE MARQUES  

Date: 2010/1/16   

Subject: PNDH 3 – Programa Nacional de Direitos Humanos  

To: am@jovempan.com.br  

A/C Anderson Costa (jornalista)     

  

EXTERMINADORES DE MEMÓRIA!  

  

É absolutamente inadmissível a campanha espúria que a Rádio Jovem Pan AM vem perpetuando, diuturnamente, contra o PNDH 3 – Programa Nacional de Direitos Humanos. Será que a direção da Jovem Pan comunga com as atrocidades cometidas pelos carrascos da ditadura militar? Será que os executivos da referida emissora de rádio são contra a defesa dos direitos humanos; serão também, quem sabe, contra a democracia e o Estado de Direito? Por que a rádio Jovem Pan AM de São Paulo é contra o PNDH 3? Qualquer cidadão como um mínimo de apreço e lucidez acerca dos temas justiça e liberdade de expressão poderá concluir, facilmente, que o 3º. PNDH é imperativo. É imprescindível manter viva a trágica e nefanda memória de nossa história política contemporânea, pois apenas desse modo estaremos aptos a promover o devido resgate do elo perdido do sentimento de justiça soterrado nos sórdidos e cruentos porões dos aparelhos de repressão da ditadura. Além disso, é necessário ressaltar que o PNDH 3 é um projeto histórico e abrangente; não se limita ao aspecto da discussão dos direitos humanos associado ao cerceamento das liberdades políticas ocorrido a partir do golpe militar de 1964 – o que, por si só, já representaria motivo muito mais do que o suficiente à sua elaboração e implementação. Na verdade, o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos, assentado em seis Eixos Orientadores e vinte e cinco Diretrizes, é bastante amplo:    

  1. Interação democrática entre Estado e sociedade civil (três diretrizes);
  2. Desenvolvimento e Direitos Humanos (três diretrizes);
  3. Universalizar direitos em um contexto de desigualdades (quatro diretrizes);
  4. Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência (sete diretrizes);
  5. Educação e Cultura em Direitos Humanos (cinco diretrizes);
  6. Direito à Memória e à Verdade (três diretrizes). 

Interação democrática entre Estado e sociedade civil significa a adoção de medidas que visem o fortalecimento da democracia participativa, em que o Estado possa atuar como instância republicana da promoção e defesa dos Direitos Humanos e a sociedade civil como agente ativo; em outras palavras o Estado proporciona os meios e a sociedade civil produz os seus próprios caminhos para a consolidação dos direitos essenciais da pessoa humana.    

Desenvolvimento e Direitos Humanos representa capacitar as pessoas e as comunidades a exercerem a cidadania com direitos e responsabilidades; significa incorporar, nos projetos, a própria população brasileira, por meio de participação ativa nas decisões que afetem diretamente suas vidas; é assegurar a transparência dos grandes projetos de desenvolvimento econômico e mecanismos de compensação para a garantia dos Direitos Humanos das populações diretamente atingidas.    

Universalizar direitos em um contexto de desigualdades significa promover a garantia de espaços e investimentos que assegurem proteção contra qualquer forma de violência e discriminação, bem como a promoção da articulação entre família, sociedade e Estado para fortalecer a rede social de proteção que garanta a efetividade de seus direitos.    

Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência representa a elaboração de propostas para que o Poder Público se aperfeiçoe no desenvolvimento de políticas públicas de prevenção ao crime e à violência, reforçando a noção de acesso universal à Justiça como direito fundamental, e sustentando que a democracia, os processos de participação e transparência, aliados ao uso de ferramentas científicas e à profissionalização das instituições e trabalhadores da segurança, assinalam os roteiros mais promissores para que o Brasil possa avançar no caminho da paz pública.     

Através da Educação e Cultura em Direitos Humanos, pretende–se assegurar ampla democratização dos meios de comunicação, bem como atuar permanentemente junto a todos os profissionais e empresas do setor (seminários, debates, reportagens, pesquisas e conferências), buscando sensibilizar e conquistar seu compromisso ético com a afirmação histórica dos Direitos Humanos.    

Direito à Memória e à Verdade (supostamente o aspecto do programa que está “tirando o sono” da mídia golpista) tem como finalidade assegurar o processamento democrático e republicano de todo o período referente à ditadura militar com o propósito de que seja viabilizado o desejável sentimento de reconciliação nacional, construindo um consenso amplo no sentido de que as violações sistemáticas de Direitos Humanos registradas entre 1964 e 1985, bem como no período do Estado Novo, não voltem a ocorrer em nosso País, nunca mais.    

No texto de Apresentação inserido no corpo do decreto de número 7.037 do PNDH 3, o presidente Lula declara que é preciso conquistar “democracia também no que diz respeito à igualdade econômica e social”; Paulo Vannuchi, ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, afirma na Abertura do mesmo documento que “Toda pessoa tem direitos inerentes à sua natureza humana, sendo respeitada sua dignidade e garantida a oportunidade de desenvolver seu potencial de forma livre, autônoma e plena”. Portanto, como um projeto que trata de interação, desenvolvimento, garantia de direitos, resgate de memória política e verdade pode comprometer ou, como vêm anunciando em tom de alarme sensacionalista os locutores da Jovem Pan AM de SP, ameaçar a liberdade de expressão e a ordem democrática? Desse modo, permanece apenas a tenaz pergunta: “Por que determinados veículos (Globo, Jovem Pan, Folha, etc.) temem tanto o resgate de nossa memória política; por que, afinal, temem tanto a verdade?”. Será que o temor está vinculado à possibilidade – bastante plausível – de que acabem ficando nas últimas posições do ranking dos meios de comunicação, verdadeiramente, comprometidos com a defesa dos Direitos Humanos?    

Saudações democráticas,    

Jorge Marques


Vejam, abaixo, as tentativas de obtenção de retorno feitas, até agora,  ao “jornalista” Anderson Costa  da rádio Jovem Pan – segundo o informado, responsável direto pelo acolhimento de sugestões, críticas e reclamações. Óbvio, até o momento não consegui nenhuma resposta – é bastante provável que jamais consiga –, mas continuarei tentando.


 

 

 

Prezados.
 
Continuo aguardando retorno. Afinal, para que serve um “canal de comunicação” de via única. Expliquem: “Por que vocês convidam apenas os opositores do PNDH 3 para emitirem opinião sobre o projeto?”. Recentemente ouvi o senador tucano Arthur Virgilio proferindo, como sempre, uma série de ignomínias sobre o PNDH 3 através dessa emissora. Não seria melhor ele dar explicações sobre os vários mensalões tucano-demonistas (Yedão, RS; Arrudão, DF; Azeredão, MG)? Não seria melhor, também, ele explicar à população indignada por que o seu partido, o PSDB do Serra, pretende acabar com o PAC?
 
Jorge Marques 

———- Forwarded message ———-
From: JORGE MARQUES
Date: 2010/1/18
Subject: Fwd: PNDH 3 – Programa Nacional de Direitos Humanos
To: am@jovempan.com.br

Prezados,
 
Continuo aguardando retorno. Pelo visto, é muito fácil atacar de maneira leviana e sem fundamento; difícil é ter a ousadia necessária para aceitar o debate sério e democrático. 
 
Jorge Marques.
 
———- Forwarded message ———-
From: JORGE MARQUES
Date: 2010/1/17
Subject: Fwd: PNDH 3 – Programa Nacional de Direitos Humanos
To: am@jovempan.com.br

Prezados,
 
Aguardarei o retorno do e-mail abaixo.
 
Jorge Marques

Responses

  1. O jornalista Anderson Costa está só fazendo seu papel. Ele é funcionário da rádio. Se não dão resposta para ele, ele não pode responder a você. Não pegue no pé dele. Ele talvez não comungue do mesma ideologia política do patrão.

    • Cara Yolanda

      Antes fosse da maneira como você expôs. O referido “jornalista” exerce uma função de comando dentro da emissora. Mantive contato não apenas através de e-mail, mas também por telefone; e mais, insisti inúmeras vezes. Jamais obtive nenhuma espécie de retorno, nem sequer uma resposta formal. Essa é a “orientação” da emissora porta-voz dos interesses da candidatura Serra, ou seja, divulgar factóides, inverdades e, através de textos manipuladores, tendenciosos, desinformar o público ouvinte.  

      Jorge Marques.


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